A BBC apresentou desculpas na quinta-feira pelos "erros graves" que fez ao divulgar um documentário sobre a vida dos menores na Faixa de Gaza, depois de confirmar que o protagonista é filho de um dirigente do Hamas.

O documentário "Gaza: Como sobreviver a uma zona de guerra" foi retirado da plataforma digital BBC iPlayer na semana passada, depois de aparecerem informações sobre o seu narrador, uma criança de 13 ano, que é filho do vice-ministro da Agricultura no governo da Faixa de Gaza, dirigido pelo Hamas.

"A BBC News fez a revisão inicial do programa. Hoje, o Conselho de Administração da BBC foi informado desse trabalho. Identificou graves erros na elaboração do programa. Alguns, da empresa produtora, outros, da BBC. Todos inaceitáveis", declarou o porta-voz, em comunicado.

Na nota, a BBC "assume total responsabilidade (pelos erros) e (pelo) o impacto que teve na reputação da empresa", e pede "desculpas".

O porta-voz garantiu que a produtora britânica Hoyo Films, responsável pela elaboração da peça, negou durante a produção qualquer ligação da criança a da sua família com o Hamas, apesar de ter sido questionada várias vezes, mas acabou por se saber que o pai da criança é um dirigente do Hamas, Ayman al Yazouri.

A BBC não tem planos para voltar a exibir o documentário, "na sua forma atual", adiantou o porta-voz.

Mais de 800 personalidades criticaram a retirada do documentário

Mais de 800 personalidades criticaram a retirada do documentário, como o realizador Ken Loach, o ator Riz Ahmed ou o apresentador e ex-futebolista Gary Lineker, com a assinatura de uma carta aberta, na qual condenam a decisão.

Na missiva, o grupo "Artists For Palestine UK" (Artistas pela Palestina Reino Unido) consideraram a decisão da BBC "uma censura com motivos políticos".

“Estamos chocados (...) O mundo viu imagens de prisioneiros palestinianos traumatizados e emaciados a sair das prisões israelitas, alguns com membros amputados. Em vez de relatar adequadamente estes horrores, a BBC está a retirar um documentário sobre crianças em Gaza devido a afirmações enganosas sobre a identidade do pai de uma criança.”


- Com Lusa