O Presidente francês anunciou esta terça-feira, no final da cimeira de Paris sobre a Ucrânia, que haverá uma força de segurança europeia no país em caso de paz, que será assegurada por “vários países europeus”, sem detalhar quais poderão participar.

Segundo Emmanuel Macron, não se trata de forças de manutenção de paz, nem nas linhas da frente, nem que substituam o exército ucraniano. Trata-se de forças que “subscreverão um apoio a longo prazo e que funcionarão como dissuasoras de uma potencial agressão russa”.

Macron admitiu que não houve unanimidade entre os aliados europeus sobre a questão, pelo que participarão na força militares de “alguns Estados membros” da coligação que apoia a Ucrânia.

O Presidente francês disse também que esperava o apoio dos Estados Unidos para o envio de uma força europeia, mas que também se quer preparar para um cenário sem Washington.

Macron anunciou ainda que uma missão franco-britânica vai deslocar-se à Ucrânia “nos próximos dias” para preparar decisões sobre “o formato do exército ucraniano”, bem como o eventual envio de militares dos países aliados.

A cimeira, que durou mais de três horas no Palácio do Eliseu, em Paris, foi concebida especialmente para discutir garantias de segurança para Kiev. As garantias incluem um possível destacamento militar europeu no âmbito de um futuro acordo de paz com a Rússia, que ainda é muito hipotético.

Aliados querem aumentar sanções contra Moscovo

Os países aliados da Ucrânia também excluíram qualquer levantamento das sanções contra a Rússia, considerando antes a possibilidade de as reforçar para aumentar a pressão sobre Moscovo. A decisão foi tomada por unanimidade.

“Não faz sentido pôr fim às sanções enquanto a paz não tiver sido realmente restabelecida e, infelizmente, ainda estamos muito longe disso”, declarou o chanceler alemão, Olaf Scholz, no final da cimeira, citado pela agência francesa AFP.

O primeiro-ministro britânico, Keir Starmer, disse que os aliados da Ucrânia têm estado a discutir de que forma poderão “aumentar as sanções” e não como aliviá-las, como pretende Moscovo.

“Discutimos os planos para restaurar a paz, a mobilização das forças armadas e os planos operacionais, sejam eles aéreos, terrestres ou marítimos”, afirmou também Starmer. “Apoiá-lo-emos plenamente durante o tempo que for necessário”, assegurou, com Zelensky a seu lado.

Já Zelensky considerou que “a Rússia não quer qualquer tipo de paz” e destacou o trabalho sobre as garantias de segurança que os europeus poderão fornecer “nos próximos dias e semanas”.

Portugal aprova despesa de até €205 milhões para apoio militar

Paralelamente, o primeiro-ministro Luís Montenegro anunciou esta quinta-feira, em Paris, que Portugal aprovou uma resolução em Conselho de Ministros para autorizar a realização de despesa até “205 milhões de euros para apoio militar à Ucrânia”.

Em “Portugal, ao mesmo tempo que estávamos a realizar esta reunião, estávamos a decidir no Conselho de Ministros, em Lisboa, a autorização da despesa no valor de 205 milhões de euros, que concretiza o apoio militar em equipamento, em várias áreas que vão dotar as Forças Armadas ucranianas para poderem, não só continuar a fazer o seu combate, como assegurar, num processo de paz, toda a dissuasão para que a segurança da Ucrânia e da Europa esteja salvaguardada”, disse à saída do Palácio do Eliseu.

A reunião “coligação dos países dispostos” a apoiar a Ucrânia "mais uma vez acentua um espírito de união que se vive na Europa", junto dos parceiros da União Europeia e a Aliança Atlântica, mas também com a Turquia, a Islândia, o Canadá, afirmou o chefe de Governo português.

Segundo Luís Montenegro, este esforço tem como objetivo “um processo de paz que possa trazer uma paz justa e duradoura com o envolvimento da Ucrânia, com o envolvimento da Europa”, mas também assegurando os compromissos dos aliados.

Questionado quanto às sanções à Rússia, relativamente à pressão para um cessar-fogo no Mar Negro, Luís Montenegro afirmou são um “mecanismo de declaração, como de garantia de compromissos” no âmbito da UE, sendo um “primeiro passo” no processo que pode “trazer um cessar fogo global, que se compagine com uma situação de paz plena, justa e douradora”.

“Nós estamos de acordo com aquela que tem sido a orientação da União Europeia e é nesse contexto que nos vamos manter. Não é ainda o tempo de fazer esse levantamento (de sanções), isso é claríssimo, não há nenhuma dúvida quanto a isso e, portanto, nós continuamos a renovar a cada meio ano as sanções e adequando-as a cada momento”, referiu o chefe do executivo.

Estas sanções garantem “a possibilidade de a Ucrânia ter uma recuperação e garante também que todo o flanco sul da Europa possa usufruir do abastecimento de bens agroalimentares que são essenciais”, acrescentou.

Questionado sobre o possível envio de militares para a Ucrânia no âmbito de um processo de paz, disse que abordou este tema na reunião. Para Montenegro, uma iniciativa nesse sentido deve ter “perspetivas de uma paz justa e duradoura” e deve considerar “medidas e garantias dos parceiros europeus e transatlânticos”.

“Portugal não vai estar fora desse esforço para precisamente, no âmbito dessas garantias, podermos ter uma política de dissuasão e de manutenção de segurança. Mas estamos longe ainda, muito longe dessa fase. Nós assumimos o nosso compromisso com os nossos parceiros.”