O Secretário-Geral da ONU, António Guterres, alertou esta quinta-feira para o facto de a indústria da moda agravar a crise climática e de a produção têxtil utilizar produtos químicos nocivos para as pessoas e para o ambiente.

Guterres, dias antes do Dia Internacional do Desperdício Zero, a 30 de março, sublinhou que esta indústria consome uma grande quantidade de recursos, como terra e água, e exerce pressão sobre os ecossistemas e emite gases com efeito de estufa. Além disso, assinalou que, a cada segundo, o equivalente a um camião de lixo cheio de roupa é incinerado ou enviado para aterros.

"A moda é apenas a ponta de um icebergue tóxico", afirmou.

Todos os anos, são produzidos mais de dois mil milhões de toneladas de lixo, cheios de toxinas "que se infiltram no nosso solo, na nossa água, no nosso ar e, em última análise, em nós", referiu ainda na sua mensagem por ocasião do Dia Internacional do Desperdício Zero.

"Como de costume, os mais pobres pagam o preço mais alto. Mais de mil milhões de pessoas vivem em bairros de lata e em aglomerados urbanos informais, onde a gestão dos resíduos é inexistente e a doença é galopante", lamentou.

O Secretário-Geral das Nações Unidas reiterou que é necessária uma abordagem diferente, que cumpra o compromisso dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável com a produção e o consumo sustentáveis.

Garantindo que a mudança é possível, salientou que, precisamente na moda, os 'designers' já estão a experimentar materiais reciclados e que os consumidores exigem cada vez mais sustentabilidade.

"Precisamos de mais mudanças em todos os setores"

O secretário-geral adiantou ainda que existem iniciativas importantes que reúnem empresas, associações industriais, a sociedade civil e outras entidades para promover a sustentabilidade no mundo da moda e dos têxteis.

Entre elas contam-se a Carta da Indústria da Moda para a Ação Climática e o Pacto da Moda, lançado pelo Governo francês.

"Devemos celebrar o poder destas inovações para transformar o setor. Mas precisamos de mais: precisamos de mudanças em todos os setores", afirmou.
"Os governos devem agir através de políticas, regulamentos e subsídios que promovam a sustentabilidade e iniciativas de desperdício zero, que motivem as empresas a adotar práticas positivas, que proporcionem empregos dignos", afirmou.

Quanto às empresas, António Guterres defende que devem optar pela circularidade, pela redução dos resíduos e pela eficiência dos recursos ao longo das suas cadeias de abastecimento.

O Dia Internacional do Desperdício Zero, liderado pelas Nações Unidas, foi celebrado pela primeira vez a 3 de março de 2023, precisamente para promover padrões de consumo e produção sustentáveis.

Com Lusa