
João Manzarra fez faísca mal apareceu na televisão há quase 20 anos a apresentar o programa juvenil Curto Circuito, na Sic Radical.
Mas só se tornou mais conhecido anos depois à frente do concurso Ídolos, na SIC, um dos muitos programas de entretenimento que apresentou até hoje em horário nobre.
Curioso é o facto de Manzarra na adolescência ter sido alvo de chacota por ser gordinho, o que o deixou vulnerável perante os outros. E até com muitos medos.
A popularidade que mais tarde alcançou foi sentida como uma forma de vingança pelo miúdo que foi? E o que ficou em si desse jovem sujeito ao ‘bullying’?
Antes de ser apresentador, Manzarra estudou comunicação social, porque imaginava poder vir a ser jornalista. Antes disso sonhou ser ator. E cantor.
Ao que parece os seus grandes caracóis levaram-no a ser chamado de “Marco Paulo”. E quem o conhece bem diz que João tem um “maravilhoso coração, maravilhoso”, como na canção.
E aqui conta como durante a licenciatura se tornou guia de viagens à neve e abandonou o curso.
Depois é o que se sabe. Foi aprovado num casting para um programa juvenil e, desde aí, passou a ser um dos apresentadores mais conhecidos da televisão.
Mas depois de ter alcançado rapidamente uma certa fama e de chegar aos 23 ou 24 anos ao que se convenciona numa sociedade capitalista por ter chegado aos Himalaias do “sucesso” cá do burgo - com um bom carro, uma boa casa, amigos e festas - veio um certo descontentamento com o que andava a fazer e um sentimento de estranheza com o papel que cumpria nos formatos de puro entretenimento.
Tudo isto para quê? Qual o sentido desta sua vida?
É sobre esse novo estado de consciência, que o leva a olhar para si e para o mundo de outra forma que arranca esta conversa em podcast.
É quando se afirma na altura vegano e se envolve em causas ambientais e humanitárias, como a dos refugiados ou mesmo a causa animal, e passa a ser uma voz crítica sobre tudo o que envolve a produção de alimentos da indústria animal e a dar importância à sustentabilidade.
Algum tempo depois Manzarra acaba por se reconciliar com o que andava a fazer na televisão. Talvez por causa do pai, uma das suas grandes referências, e que partiu em 2019 depois de uma longa doença.
Para Manzarra o seu pai era, como o próprio escreveu “um verdadeiro antídoto para a tristeza e o medo.” E aqui conta como foram para si belos os últimos tempos em que esteve com ele a acompanhá-lo nos tratamentos. “É um dos meus assuntos preferidos falar do meu pai.”
João afirma que depois da morte do progenitor, voltou a valorizar as várias formas de trazer alegria para a vida das pessoas. Seja no dia-a-dia, num encontro direto, mas também em maior escala, num encontro massificado através da televisão, através do seu papel de apresentador.
E passou a ficar de bem com o papel de rapaz porreiro, bem disposto e leve na televisão. Como aqui explica.
Mas na verdade, João é mais do que isso e tem revelado muitos outros interesses, inquietações e camadas muito além do que mostra na televisão de companhia.
Como é o facto de ter ganho um interesse súbito por Filosofia na pandemia, talvez para desconfinar a mente. Inclusivé até entrou num curso de Filosofia, que não chegou a concluir, mas consta que o seu interesse pela área permanece.
Importa dar conta que João Manzarra tem agora um canal de YouTube que o entusiasma bastante e que nos permite viajar com ele a sítios fascinantes deste mundo, para onde ele escapa sempre que pode.
É o seu canal fora da televisão, onde Manzarra se sente livre para fazer conteúdos que se possam relacionar com aquilo que mais gosta de fazer hoje em dia, que é caminhar. E desbravar mundo a pé, de mochila às costas, e contar o seu testemunho e histórias sobre essas aventuras e desventuras.
E aqui fala da sua ligação forte à Argentina ou da sua recente viagem ao Nepal, na companhia do amigo fotógrafo e cinematógrafo Arlindo Camacho com quem subiu até ao acampamento base do Monte Everest, a 5640 metros de altitude.
Interessante é saber que Manzarra se mudou da cidade para o campo, onde consta passou a ser mais feliz - sem barulho, sem stress, sem trânsito ou demasiados estímulos - na companhia dos seus cães e burros também. Estar tão longe das grandes cidades leva-o a estar mais ligado a si próprio ou traz também alguma solidão?
E ainda nesta primeira parte é perguntado ao apresentador de programas como “Vale Tudo” e “A Máscara”, na SIC, como seria a sua televisão se fosse desafiado a ser diretor de programas.
O que mais gosta e menos gosta de ver em antena? O que mudava nos programas que chegam ao grande público? Qual a resposta? É ouvirem.
João Manzarra fala ainda a venda do seu carro Tesla por repúdio às atitudes e posições do CEO da marca, o empresário Elon Musk, dono da rede X e um dos grandes aliados de Donald Trump.
O apresentador comenta também a polémica que envolve a humorista Joana Marques e o grupo musical Anjos que exige mais de um milhão de euros por uma piada sobre eles feita nas redes sociais. Depois é surpreendido com um áudio do amigo Arlindo Camacho.
Como sabem, o genérico é assinado por Márcia e conta com a colaboração de Tomara. Os retratos são da autoria de Nuno Fox. E a sonoplastia deste podcast é de João Ribeiro.
A segunda parte desta conversa fica disponível na manhã deste sábado.