No final de uma reunião com os municípios envolvidos no projeto Parque Cidades do Tejo, da Área Metropolitana de Lisboa, Luís Montenegro foi questionado sobre as críticas da oposição por a coligação PSD/CDS-PP ter indicado que nos debates televisivos com os líderes do BE, Livre e PAN seria Nuno Melo, presidente do CDS-PP, o representante e não o primeiro-ministro.

"Eu vejo com alguma estupefação. A decisão que tomámos na Aliança Democrática (AD) de utilizar os dois líderes políticos dos dois partidos na campanha eleitoral é uma decisão política que é nossa e que nós assumimos e respondemos por ela. Acusarem-me de estar a fugir de debates é totalmente injustificado", considerou.

Montenegro repetiu, como tinha feito nas redes sociais, que esteve em 18 debates parlamentares com todos os partidos no último ano e assegurou que participará também nos debates com todas as forças políticas em simultâneo.

"Eu acho que não deve ser entendido como desrespeito a circunstância de o líder de um partido, o partido com mais representação, o PSD, estar na maioria dos debates e o líder do outro partido também poder participar na campanha eleitoral", afirmou, salientando que, ao contrário do que aconteceu em 2024, o CDS-PP tem representação parlamentar.

Questionado sobre a recusa, já manifestada pelo Livre, de debater com o líder do CDS-PP, Montenegro devolveu as acusações de receio que lhe têm sido imputadas.

"Eu creio que parece que quem está com medo de debater é quem apresenta problemas à participação do presidente do CDS nos debates. Eu por mim, como líder desta coligação, estou muito tranquilo porque sei que o doutor Nuno Melo, nos debates em que participará, vai representar muito bem a proposta política da AD", disse Montenegro.

O líder do PSD, que continuou a referir-se à coligação como Aliança Democrática (apesar de esta já não incluir o PPM que ameaçou avançar com uma providência cautelar contra o uso da denominação), respondeu às críticas pela escolha do antigo secretário de Estado Hernâni Dias para cabeça de lista em Bragança.

"O Dr. Hernani Dias saiu do governo num contexto que não tem nenhuma relação com o exercício de funções no parlamento. Não há nenhuma razão para ele estar diminuído na sua capacidade de poder representar, no caso do círculo de Bragança, a sua população, o seu território e o país, enquanto deputado na Assembleia da República", afirmou.

Questionado sobre o facto de o próprio primeiro-ministro ter classificado como imprudente a atuação que levou à sua demissão -- a criação de uma empresa imobiliária quando tutelava a chamada lei dos solos -, Montenegro frisou que tal se referia "às funções que desempenhava na época".

"Nós escolhemos os cabeças de lista e os membros das listas que entendemos que possam representar melhor as nossas propostas, as nossas ideias, os círculos pelos quais são eleitos e, sobretudo, o interesse nacional, porque os deputados têm essa missão de representar todo o território, toda a população, todo o conjunto de matérias que são relevantes para a vida das pessoas", disse.

Sobre se tinha conhecimento da investigação do Ministério Público às adjudicações na Câmara Municipal de Espinho, noticiada pelo Expresso, Luís Montenegro respondeu negativamente, dizendo não ter feito qualquer parecer sobre obras.

"Não tenho conhecimento de nenhuma investigação e nem sei a que parecer é que se está a referir. Eu não fiz nenhum parecer sobre obras. Eu, enquanto advogado, intervim em resposta a solicitações de clientes", afirmou.

Segundo o Expresso, o escritório SP&M, onde Luís Montenegro foi sócio até 2022, consta entre os denunciados no inquérito, uma vez que prestou serviços jurídicos à autarquia entre 2014 e 2021.

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Lusa/fim