Miguel Poiares Maduro, ministro adjunto e do Desenvolvimento Regional no Governo de Passos Coelho, afirma que o primeiro-ministro está a transformar o escrutínio a que tem sido sujeito numa ofensa.

O antigo ministro entende que as informações recolhidas pelos meios de comunicação social sobre o líder do Executivo são "relevantes para fazer questões", mas entende que, por outro lado, são apresentadas "como se fossem uma acusação".

Confrontado com as suspeições noticiadas, o primeiro-ministro "transforma o escrutínio como se fosse imediatamente uma ofensa", defende, em entrevista ao Público e à Rádio Renascença.

Poiares Maduro considera também que a atividade da empresa da família de Montenegro, a Spinumviva, já deveria ter sido interrompida, de forma a evitar que o caso continue a assombrar o líder do Executivo ainda em funções.

O Governo de Luís Montenegro caiu em março depois de ter sido noticiado pelo Expresso que a empresa da família de Luís Montenegro recebia uma avença mensal de 4.500 euros do grupo Solverde, proprietário de casinos e hotéis por "serviços especializados de 'compliance' e definição de procedimentos no domínio da proteção de dados pessoais".

A polémica com a empresa Spinumviva surgiu com notícias do Correio da Manhã que indicavam que, entre outras atividades, se dedicava à compra e venda de imóveis, informação que se juntou a outras notícias de empresas e património detidos por membros do Governo na área do imobiliário, numa altura em que o Governo está a rever a lei dos solos, com possível impacto na valorização de terrenos e casas.