
O novo primeiro-ministro do Canadá, Mark Carney, afirmou hoje que os dias de estreita cooperação com os Estados Unidos "acabaram" porque aquele país deixou de ser um "parceiro fiável".
"A antiga relação que tínhamos com os Estados Unidos, baseada na profunda integração das nossas economias e na estreita cooperação em matéria de segurança e defesa, acabou", afirmou, numa conferência de imprensa.
No entanto, especificou que deverá manter conversações com o Presidente dos EUA, Donald Trump, dentro de "um ou dois dias", a pedido de Washington.
Na quarta-feira, o Presidente norte-americano anunciou a sua intenção de impor direitos aduaneiros de 25% sobre as importações de automóveis. Esta medida viria juntar-se às tarifas já impostas por Washington sobre o aço e o alumínio.
"Oponho-me a qualquer tentativa de enfraquecer o Canadá, de nos dividir para que a América nos possa possuir, isso nunca acontecerá", declarou, prometendo ripostar.
"Combateremos as tarifas americanas com ações comerciais de retaliação que terão um impacto máximo nos Estados Unidos e um impacto mínimo aqui no Canadá", acrescentou o novo primeiro-ministro, que tomou posse há menos de duas semanas.
Carney, que convocou eleições antecipadas, interrompeu a sua campanha na tarde de quarta-feira, na sequência dos novos anúncios de Donald Trump, para se encontrar com os primeiros-ministros das províncias canadianas.
O chefe do Governo insistiu hoje no "respeito" que o Presidente norte-americano deve demonstrar para que seja possível um diálogo.
"Para mim, há duas condições, não necessariamente para um telefonema, mas para uma negociação com os Estados Unidos. A primeira é o respeito, o respeito pela nossa soberania enquanto país", declarou.
Por outro lado, acrescentou: "Tem de haver uma discussão global entre nós os dois, incluindo no que respeita à nossa economia e à nossa segurança".
Os dois líderes não trocaram telefonemas desde que Carney assumiu o cargo, substituindo Justin Trudeau, a 14 de março.
Carney prometeu "construir uma nova economia canadiana", nomeadamente através da eliminação das barreiras alfandegárias existentes entre as províncias canadianas.
O primeiro-ministro canadiano vai esperar até à próxima semana para anunciar medidas concretas, mas, para já, garantiu que o Canadá terá de reduzir "drasticamente" a sua dependência do vizinho do Sul e procurar novos parceiros comerciais "fiáveis".
No entanto, o sucessor de Justin Trudeau reconheceu que a construção de um "Canadá mais forte, mais livre e eterno" será complicada, admitindo que "não existe uma solução milagrosa ou um atalho" para o conseguir.