
Vladimir Putin defendeu esta sexta-feira a criação de um “governação temporário” na Ucrânia, substituindo o Presidente Volodymyr Zelensky. A informação foi avançada pela Reuters, que cita agências de notícias russas em Murmansk, no norte do país, onde o Presidente russo abordou o assunto à margem do Fórum do Ártico.
Segundo Putin sugere, o executivo - apoiado pela ONU, Estados Unidos, países europeus e países aliados da Rússia - estaria em funções até que se organizassem novas eleições em solo ucraniano. “Isto seria para se realizarem eleições democráticas e trazer ao poder um governo capaz que gozasse da confiança do povo”, disse, citado pela mesma agência.
A informalidade das declarações - a conversa decorreu no porto da cidade com marinheiros no local - contrasta com a importância do que Putin acabava de proferir. Embora não seja primeira vez que o Presidente refere o afastamento de Zelensky desde o início da guerra, é a primeira vez que o sugere desde que começaram as negociações de cessar-fogo. “Em seguida, [seria possível] iniciar negociações com eles [as novas autoridades] sobre um tratado de paz”, disse ainda Putin, citado pela AP.
Reforçando que a Rússia é a favor de “soluções pacíficas para qualquer conflito, incluindo este”, frisou que a paz não pode ser alcançada “às nossas custas”. Para o chefe de Estado, a criação deste governo temporário seria uma forma de aumentar a possibilidade de se negociar a paz, até à assinatura de um acordo formal.
Putin considera que Zelensky não tem legitimidade para se manter no poder, por não ter realizado eleições no ano passado. No entanto, a lei marcial na Ucrânia impede que sejam realizadas eleições desde que a Rússia invadiu o país em fevereiro de 2022.