Donald Trump garante que os EUA sairão da NATO se os aliados não pagarem mais. Na primeira entrevista como Presidente eleito, prometeu ainda expulsar todos os imigrantes em situação irregular.

Na entrevista à cadeia NBC News, gravada na sexta-feira e publicada este domingo, Trump assegurou que os EUA deixarão a NATO a menos que os países aliados contribuam mais financeiramente.

"Se pagarem as suas contas e nos tratarem de forma justa, a resposta é 'absolutamente, ficarei na NATO'", esclareceu o Presidente eleito, antes de dizer que, de outra forma, retirará os Estados Unidos da Aliança Atlântica.

Trump promete expulsar imigrantes em situação irregular

"Penso que temos de o fazer. E é difícil. É uma coisa muito complicada de fazer", explicou o futuro Presidente, quando questionado sobre se o seu plano era expulsar durante os seus quatro anos de mandato todas as pessoas com presença ilegal nos Estados Unidos.

"Vai custar uma fortuna. Mas vou fazê-lo. Vamos começar com os criminosos", prometeu o Presidente eleito.

Trump também prometeu que não iria separar famílias, nos casos em que alguns imigrantes da mesma família estão legalmente e outros ilegalmente em território norte-americano, devolvendo todos ao seu país de origem.

"Eu não quero separar famílias. E a única maneira de o conseguir é mantê-los todos juntos e enviá-los todos de regresso", disse Trump, durante a entrevista.

O Presidente eleito explicou ainda que pretende eliminar a cidadania por direito de nascimento - a proteção consagrada na 14.ª Emenda, que garante a cidadania a qualquer pessoa nascida em território norte-americano.

Vai aumentar tarifas de importação

No plano económico, Trump disse que vai cumprir a promessa eleitoral de aumentar as tarifas de importação dos principais parceiros de comércio, e não assegurou que "as famílias americanas não vão pagar mais", como consequência dessa medida.

"Não posso garantir nada. Não posso garantir o que vai acontecer no futuro", reconheceu Trump.

Durante a entrevista, Trump continuou a insistir que as eleições de 2020, em que foi derrotado pelo democrata Joe Biden, foram roubadas e explicou que as eleições deste ano apenas não seguiram o mesmo rumo porque o resultado da sua vitória foi "demasiado expressivo".

“Não quero voltar ao passado”

Contudo, ao contrário do que tinha prometido durante a campanha eleitoral, Trump não falou em vinganças contra os adversários que acusa de o terem prejudicado politicamente e pessoalmente no passado.

"Não quero voltar ao passado. A retribuição será através do sucesso", disse Trump, esclarecendo que não vai nomear um procurador especial para investigar qualquer situação que envolva o Presidente Joe Biden ou a sua família.

O Presidente eleito disse ainda que admite aumentar o salário mínimo federal, mas que terá de consultar os governadores estaduais, antes de tomar qualquer decisão.

Trump também prometeu que não irá impor restrições ao acesso a pílulas abortivas, deixando o tema do acesso à interrupção voluntária da gravidez a decisões dos legisladores de cada estado, quando falou sobre um dos temas mais divisivos da campanha eleitoral.

Trump garante que já está a tentar acabar com a guerra na Ucrânia

Sobre a Ucrânia, Trump disse que está já efetivamente a tentar acabar com o conflito com a Rússia, assegurando que Kiev não deverá esperar muita mais ajuda militar dos Estados Unidos, quando ele assumir o poder em janeiro.

Sobre a situação na Síria, na entrevista gravada na sexta-feira, antes dos mais recentes desenvolvimentos, Trump disse estar convencido que o Presidente Bashar al-Assad dificilmente se conseguiria manter no poder.

"O que é incrível, porque ele permaneceu no poder durante anos, sob condições muito mais adversas. De repente, os rebeldes estão a assumir grandes porções de território", concluiu Trump.