
André Villas-Boas assinou mais um editorial da Revista Dragões. Presidente do FC Porto falou sobre vários temas desportivos.
André Villas-Boas, presidente do FC Porto, assinou o editorial da Revista Dragões da edição de março, como habitual. O líder dos azuis e brancos falou sobre vários temas associados ao seu clube: empréstimo obrigacionista, conquista da Taça de Portugal de Basquetebol, Rodrigo Mora.
Além disso, André Villas-Boas abordou também a não eleição de Pedro Proença para o Comité Executivo da UEFA e eleições para a Liga Portugal. Eis o que o presidente dos dragões disse sobre o tema, destacando «a paz podre que o futebol português vive há vários anos»:
«Não poderia terminar sem me referir aos acontecimentos recentes e lamentáveis, que vieram colocar em destaque a paz podre em que o futebol português vive há vários anos. Com um elenco federativo eleito há cerca de um mês, um comité olímpico ainda mais recente e em pleno processo eleitoral para a Liga, com a aproximação de exigentes desígnios como a candidatura à receção do Europeu de Futebol Feminino no nosso país, em 2029, e a coorganização do Mundial em 2030, é fundamental agir com bom senso e responsabilidade para não manchar ainda mais a reputação do nosso país nas mais altas instâncias do futebol europeu e mundial», pode ler-se.
«Teria sido muito importante manter um representante no comité executivo da UEFA e estar no cerne das discussões críticas que marcam o futebol mundial. Por conseguinte, é fundamental congregar esforços e encurtar distâncias entre instituições para recuperar a nossa posição no próximo mandato», acrescentou.
André Villas-Boas deixou ainda bicada:
«A quem interessa que continuemos a viver nesta paz podre por mais tempo? A quem interessa, como já referi publicamente, um certo desalinhamento entre os três grandes e continuarmos a adiar discussões sobre a centralização dos direitos televisivos, o VAR e outros temas que continuam em atraso? A quem interessará dar um passo atrás no caminho para a dignidade, transparência e ética do futebol português? A quem interessa esta vacuidade? A quem interessa? Nós sabemos a resposta. Os nossos rivais e outros situacionistas também sabem disso, mas não lhes interessa. O fado do futebol português não é ser pequeno; temos de dar passos em frente. Para esse propósito maior, só para esse, contem com o FC Porto».
Podes ler a mensagem na íntegra:
Março foi mais um mês repleto de acontecimentos relevantes. Avançámos com serenidade no rumo que pretendemos para o nosso futuro, com o envolvimento de todos, essencial para sermos fiéis à estratégia traçada. Um clube que investe sustentadamente em si próprio.
É da mais elementar necessidade destacar o sucesso que obtivemos com o empréstimo obrigacionista que lançámos. Inicialmente pensado para um valor de subscrições até 30 milhões de euros, atingiu quase 60 milhões de euros. Com uma gestão financeira rigorosa e um controlo de gestão efetivo, reconquistámos a confiança do mercado. No entanto, o que mais satisfação nos trouxe foi o facto de, para além de investidores institucionais, muitos portistas particulares terem acorrido à subscrição. Trata-se de um sinal claro do envolvimento dos sócios e simpatizantes na construção do futuro do FC Porto. Estamos fortes e colocamos em primeiro lugar o que para nós é sagrado: continuar a ser um clube de topo, propriedade dos seus sócios, e não cair nas mãos de terceiros, cujo amor pelo FC Porto nunca será como o nosso.
Outra importante manifestação da nossa vitalidade vem do nosso basquetebol. Foi um mês cheio, que começou com a renovação contratual do treinador Fernando Sá. Jogador formado nas escolas portistas, agora treinador, alguém cuja forma de ser, de treinar, de estar no banco e de contactar com os sócios e simpatizantes ilustra bem os valores do Portismo. Mas não ficamos por aqui. Também Miguel Queiroz festejou connosco a bonita marca dos 500 jogos de Dragão ao peito, devolvendo todo o nosso carinho ao revelar-se o jogador mais valioso da final da Taça de Portugal que vencemos, “sem espinhas”, com todo o brilhantismo, contra os nossos rivais. O Miguel não nasceu portista, aprendeu a ser portista, porque amar este clube, unir a voz à gente autêntica que enche as bancadas, ser trabalhador, exigente consigo próprio, batalhador, viver para o grupo e estar envolvido com o clube com intensidade e verticalidade são ingredientes que marcam. Hoje, o Miguel é um exemplo para muitos que procuram um modelo de Portismo.
Orgulho e emoção foi o que também senti ao ler a extensa entrevista de Rodrigo Mora que preenche esta edição da Revista Dragões. Mora é ainda um Jovem, um “menino”, mas escutar sair da sua boca, com uma segurança granítica, expressões como “o FC Porto representa a ‘união’, ‘o nunca desistir’ e ‘a paixão que temos pelo clube e pela cidade”, perceber que o seu “maior sonho” por concretizar é o de “ser campeão nacional”, pois para “um miúdo que cresceu no FC Porto” e que é “portista”, “ir aos Aliados é uma coisa especial”, enche-nos de certezas e a principal é estamos cá para vencer, trabalhamos para isso diariamente e vamos vencer porque somos Porto.
No entanto, há ainda muitos desafios pela frente.
Por isso, não poderia terminar sem me referir aos acontecimentos recentes e lamentáveis, que vieram colocar em destaque a paz podre em que o futebol português vive há vários anos. Com um elenco federativo eleito há cerca de um mês, um comité olímpico ainda mais recente e em pleno processo eleitoral para a Liga, com a aproximação de exigentes designíos como a candidatura à receção do Europeu de Futebol Feminino no nosso país, em 2029, e a coorganização do Mundial em 2030, é fundamental agir com bom senso e responsabilidade para não manchar alnda mais a reputação do nosso país nas mais altas instâncias do futebol europeu e mundial. Teria sido muito importante manter um representante no comité executivo da UEFA e estar no cerne das discussões críticas que marcam o futebol mundial. Por conseguinte, é fundamental congregar esforços e encurtar distâncias entre instituições para recuperar a nossa posição no próximo mandato.
É por isso que todos temos de nos preocupar com as eleições da Liga. Deveríamos estar a discutir propostas, equipas, planeamento, estratégia, valorização e crescimento, e deveríamos fazer perguntas e obter respostas dos candidatos na cimeira de Presidentes da Liga.
No entanto, o que está a acontecer é o oposto. Há conluio, facilitismo, favoritismo e o sonho de um eldorado em direitos audiovisuais que jamais chegará, como facilmente se pode perceber pelas tendências recentes noutros países europeus e com ligas mais bem classificadas.
A quem interessa que continuemos a viver nesta paz podre por mais tempo? A quem interessa, como já referi publicamente, um certo desalinhamento entre os três grandes e continuarmos a adiar discussões sobre a centralização dos direitos televisivos, o VAR e outros temas que continuam em atraso? A quem interessará dar um passo atrás no caminho para a dignidade, transparência e ética do futebol português? A quem interessa esta vacuidade?
A quem interessa? Nós sabemos a resposta. Os nossos rivais e outros situacionistas também sabem disso, mas não lhes interessa.
O fado do futebol português não é ser pequeno; temos de dar passos em frente. Para esse propósito maior, só para esse, contem com o FC Porto».
