A capitã da Seleção Nacional, Sofia Silva, está confiante na prestação da equipa no Eurobasket para o qual se qualificou pela primeira vez na história. Aos 34 anos, Sofia Silva sorri e diz que o caminho é a melhor parte do processo.

— Agora que já se realizou o sorteio para o Eurobasket parece mais real que Portugal conseguiu finalmente dar esse passo? Gostou do sorteio?

— É o que é. Só o facto de nos termos classificado já é muito bom e temos de estar muito felizes por isso. Não esperava que existisse um grupo fácil, acho que não há nenhum grupo assim que possamos dizer que é acessível. De qualquer forma, agrada-me porque nós já tivemos jogos com a Bélgica, a atual campeã, nos quais conseguimos competir bastante bem. Em relação às outras equipas, não tivemos essa oportunidade e não conhecemos tão bem. Mas tenho um bom feeling [risos].

— Tirando a Bélgica, a Chéquia neste momento é mais tradição e escola? E Montenegro, muito duras fisicamente?

— As checas foram campeãs, já passaram uns anos mas não podemos pensar que estão mais fracas, podem estar só adormecidas e creio que o Montenegro é muito forte, mas era bastante mais dominante há uns anos. Elas tiveram algumas dificuldades em classificar nesta última janela. Então, não sei, acho que...

Portugal tem hipóteses de passar?

— Acho que sim [sorri]. Não quero estar já a pensar muito nisso, a criar grandes expetativas porque ainda temos muito trabalho pela frente, temos toda a preparação para fazer, ainda nem acabámos os campeonatos. Mas, não sei…

E se corre bem, não é?

— Exatamente [risos].

Então, passando à fase de preparar e afinar, o que acha que a Seleção deve fazer para chegar na melhor forma ao Europeu, em junho? Já está no limite ou ainda pode crescer?

— Honestamente, a nossa equipa é sempre uma equipa surpresa. Nós somos literalmente uma equipa. Um dia destaca-se uma jogadora, no outro dia aparece outra e ainda outra que se destaca. Em termos de scouting, de quem está a preparar o jogo contra nós, não se pode relaxar. Normalmente, se jogamos contra uma Bélgica, sabemos quem é a jogadora mais perigosa, ou as jogadoras que podem resolver um jogo. Mas, na nossa Seleção é diferente, aqui é a equipa que funciona. Por isso, acho que não devíamos fugir muito a isso, ao que temos feito, porque que tem funcionado. Claro que depois vamos ter de tentar potencializar outras coisas, porque cada seleção é diferente, vamos tentar adaptar-nos ao rival, mas a nossa identidade defensiva vai lá estar, de certeza, não tenho dúvidas. E pronto, quando agora em maio começarmos a preparação, possivelmente vão fazer-se alguns ajustes, mas acredito que será mais ou menos isso.

O facto de não termos uma... não quero dizer uma estrela, porque também não quer parecer que estou a diminuir, mas não haver alguém que se destaque, é o principal elemento surpresa, é mais difícil marcar e identificar o perigo, de onde vem o perigo, é isso?

— Exatamente, tem toda a razão, é isso mesmo que eu penso. Não há nenhuma superstar na nossa seleção, então acho que isso é o que nos torna especiais também, não é? Porque, claro, não há tanto foco numa ou noutra. Um dia pode ser uma Carolina Rodrigues, outro dia pode ser uma Maianca…

Não se sabe por onde é que o perigo vai surgir?

— Exato, isso é bastante agradável de se ver e é bonito também.