O xadrez da banca italiana prossegue e as peças continuam a movimentar-se. O BCE permitiu o avanço do Credit Agricole, que subiu a sua participação no Banca Popolare de Milano (BPM) para 19,8% (com possibilidade de ascender a 19,9%), reforçando a sua posição como maior acionista. Por sua vez, o UniCredit obteve a autorização que lhe faltava e tem agora luz verde do regulador do mercado italiano, o Consob, para avançar com a oferta sobre o rival doméstico.

A Oferta Pública de Aquisição (OPA) começa a 28 de abril, segundo o comunicado do UniCredit, e termina a 23 de junho. O banco propõe trocar 0,175 suas por cada uma do BPM, o que coloca a avaliação da instituição milanesa em cerca de 14 mil milhões de euros, aponta a Agência Reuters, com base nos números avançados pela entidade liderada por Andrea Orcel.

Recentemente, o BPM viu negado seu pedido para fazer uso do ‘danish compromise’, que lhe permitia reduzir o impacto da compra da Anima Holding no seu capital. Este acontecimento levou a que Orcel sublinhasse os problemas do negócio e, segundo o próprio, reforça a oferta com prémio quase nulo lançada pelo UniCredit. Esta OPA do BPM pela Anima dá ao rival maior a possibilidade de abandonar a missão de compra da entidade sediada em Milão.

O CEO do UniCredit tem como maior obstáculo precisamente o Credit Agricole, que, desde dezembro, já aumentou a sua posição no BPM de cerca de 9% para os atuais 19,9%. No entanto, no seu comunicado sobre a autorização do BCE para aumentar a participação, a instituição francesa deixa claro que não pretende lançar uma OPA. A Reuters recorda que Itália é o maior mercado estrangeiro do Credit Agricole e que este tem parcerias no domínio do crédito ao consumo e dos seguros não vida, que pretende manter.

Sobre os negócios que se cruzam neste mundo da banca, a Reuters aponta ainda para a gestora de fundos Amundi, detida pelo Credit Agricole e que adquiriu o a parte de gestão de fundos do UniCredit por 3,6 mil milhões no passado. O acordo de distribuição entre os dois bancos termina em 2027, segunda a agência de notícias, e Orcel tem reduzido a proporção de fundos da Amundi que vende. Paralelamente, as ações da gestora caíram 6,9% nesta quarta-feira, o que realça a preocupação dos investidores sobre as negociações entre os dois bancos, indica a Reuters.

No entanto, relembre-se que a demanda de crescimento do UniCredit não está circunscrita ao seu rival mais pequeno nem ao país de origem. O segundo maior banco de Itália já detém 4,2% da Generali, a maior seguradora do país e já construiu uma posição de destaque no Commerzbank, com 28% do capital do banco alemão. A compra do Commerzbank está em cima da mesa, ainda que a Reuters adiante que Orcel está a adiar esse negócio para 2026 ou 2027.