
No dia em que a administração Trump vai novas taxas alfandegárias sobre a maioria das importações, naquela que poderá ser a ação mais agressiva da guerra comercial iniciada pelos Estados Unidos, a presidente do Banco Central Europeu (BCE) alerta para o "Impacto negativo" que terão em todo o mundo.
O anúncio será feito às 21h00 em Portugal continental e acontece depois de os EUA terem aplicado taxas sobre as importações de produtos do México, China e Canadá - os principais parceiros comerciais dos norte-americanos - bem como sobre produtos como o aço e os automóveis.
Certo é que o "impacto será negativo em todo o mundo", adiantou Christine Lagarde em entrevista à rádio irlandesa Newstalk.
"Não nos esqueçamos que muitas vezes o impacto das tarifas afeta também aqueles que as aplicam. O que pode levar a negociações" que podem até fazê-las cair. Mas isso é uma hipótese que não está para já em cima da mesa.
"Acho que nunca mencionei a palavra incerteza tantas vezes como nas últimas semanas. Só hoje saberemos o que vai ser anunciado e o que pretendem os EUA", disse Lagarde que deslocou-se a Dublin para receber um prémio com o nome do irlandês Peter Sutherland, antigo diretor-geral da Organização Mundial do Comércio que, segundo Lagarde, “daria voltas no túmulo se soubesse o que se está a passar neste momento” no mundo.
"O Dia da Libertação"
Será esta noite, às 21h00, que o mundo ficará a conhecer os detalhes da nova política de tarifas norte-americana que a administração Trump pretende aplicar.
A garantia foi dada pela Casa Branca, que organiza o evento designado pelo Presidente Donald Trump de "Dia da Libertação".
Pouco ou nada se sabe mas, segundo a imprensa norte-americana, as tarifas podem ser superiores a 20% e vão afetar todos os países.
A porta-voz da Presidência diz que Trump está a aperfeiçoar o pacote de tarifas mas assim que forem anunciadas "começaram a ser aplicadas imediatamente".
Impacto calculado em mais de um bilião de euros
O cenário é apresentado por um grupo de economistas de uma universidade britânica. Ainda assim, os especialistas dizem ser impossível calcular com rigor o impacto destas tarifas e que áreas serão mais afetadas, tendo em conta os poucos detalhes que há neste momento.
De acordo com o mesmo estudo, o golpe na economia poderá ser comparável àquele que teve a guerra comercial durante a Grande Depressão, nos anos 30.
Já o banco norte-americano Goldman Sachs alerta que as tarifas de Trump poderão agravar o risco de recessão nos Estados Unidos. Há agora uma probabilidade de 35% de haver uma crise nos próximos meses. A última estimativa dizia que esse risco era de 20%.