A TAP teve um ano de 2024 “extremamente positivo”, assegura Luís Rodrigues, presidente da TAP, num almoço de Natal da companhia, onde se mostrou confiante na robustez da empresa, remetendo para o acionista Estado todas as questões sobre a privatização da transportadora, prevista para 2025.

Sem querer pronunciar-se sobre a privatização, sublinhou no entanto que é importante “manter as características positivas da companhia, 3w assegurar que elas são executadas no caderno de encargos”.

Satisfeito com os dois anos consecutivos do lucro da TAP, Luís Rodrigues não esconde que 2025 vai ser um ano com “desafios significativos”. E elenca-os: “conflitos armados severos” no mundo ocidental, como não se via na Europa desde a segunda guerra mundial, condicionantes meteorológicas sérias — como recentemente em Valência e Porto Alegre —, escalada das exigências regulatórias a nível internacional, sérios constrangimentos nas infraestruturas aeroportuárias — e não só nos aeroportos e no espaço aéreo europeu —, exigências ambientais e falta de mão de obra qualificada.

Sobre a hipótese de a TAP manter-se na rota do lucro em 2025 e bater recordes, Luís Rodrigues não se comprometeu, admitindo porém que o ano será bom. “Não nos pronunciamos sobre previsões futuras e também não estamos à procura de recordes, estamos à procura de sustentadamente garantir rentabilidades operacionais. O que é mais importante neste momento é garantir mais um ano bom, não é mais um ano recorde. Se isso acontece, não acontece, logo se vê.”, frisou.

Explicou ainda que a companhia está “num processo de transformação da TAP que vai demorar bastante tempo, a aviação é um negócio extremamente exigente, os ciclos de comportamento e iniciativas demoram sempre muito tempo a produzir impacto", explicou. "É um ano extremamente positivo, em que enfrentámos enormes adversidades”, admitiu porém.

O plano de reestruturação da TAP, acordado com Bruxelas, tem de estar concluído em 2025. Mas na prática já foi superado, a companhia teve lucro em 2022 e 2023. Luís Rodrigues sublinha no entanto que a reestruturação é um processo contínuo. “ Em aviação, no geral e na TAP em particular, a reestruturação nunca está concluída. Nós nunca podemos perder de vista a pressão sobre os custos, porque os custos estão sempre a aumentar e não podemos perder de vista a necessidade de gerar mais receitas, porque as oportunidades estão lá. Portanto, no dia em que eu disser que a reestruturação está concluída, receio que o futuro não vá ser o melhor”, assegura.

A TAP tem batido recordes de vendas, com números que já superaram o período pré-pandemia, e o objetivo de Luís Rodrigues é que continue a crescer. “Temos de fazer um esforço para vender cada vez mais e melhor, com ferramentas novas, com know-how novo, e esse trabalho está a ser feito, está a fazer um caminho, não é rápido, não é imediato, mas está a ser feito”, sublinhou.

Acrescentou ainda: “Temos oportunidades na área de serviço ao cliente, que durante bastantes anos foi sacrificada por razões óbvias, mas que agora estamos a recuperar”.

TAP quer quadruplicar a faturação com manutenção

A companhia fatura hoje 250 milhões com a manutenção mas quer continuar a crescer e quadruplicar o valor nos próximos anos, avançou Luís Rodrigues, um plano que quer deixar para os futuros donos da companhia, caso o processo de privatização avance. “Temos oportunidades na área de manutenção, é certo e sabido, temos uma enorme capacidade técnica e um enorme conhecimento dentro da companhia e é para utilizar cada vez mais”, explicou. Há, acrescentou, oportunidades que “estão aí para as agarrarmos e para construirmos aquilo que temos andado a fazer com esta equipa nos últimos anos”.

O gestor sublinhou ainda o facto de a TAP ter recuperado os atrasos e ser hoje a companhia mais pontual do aeroporto de Lisboa. “Hoje estamos orgulhosamente a reivindicar a companhia aérea mais pontual no aeroporto de Lisboa. E obviamente queremos garantir esse ranking, essa posição no futuro próximo”.