
Henrique Prata Ribeiro é autor de várias publicações científicas e livros, incluindo *Urgências Psiquiátricas*, *Dormir é Fácil* (com André Ponte) e *Step-by-Step Psiquiatria* (com Daniel Sampaio). Destaca-se pelo seu envolvimento em causas relacionadas com o acesso à saúde mental, como a criação de protocolos com a APAV, propostas de alteração legislativa e defesa do acesso gratuito a medicação para a esquizofrenia. Até dezembro de 2024, coordenou a implementação do Programa para a Saúde Mental dos Açores. É formado em Medicina pela Universidade de Coimbra e lecionou na Faculdade de Medicina de Lisboa antes de integrar a Católica.
O psiquiatra sublinhou a incidêndia da doença mental em Portugal, o segundo país europeu com maior prevalência, apenas atrás da Irlanda.
"Para quase todas as doenças mentais é importante dizer que há uma base genética que te dá uma predisposição. Mas quase todas as doenças são poligénicas. Quer dizer que não conseguimos identificar dois ou três genes que digam que esta pessoa vai ter esta doença de certeza. Os fatores ambientais também têm um papel importantíssimo na área da psiquiatria."
Cannabis e surtos psicóticos
Para Henrique Prata Ribeiro, a cannabis é um dos grandes potenciadores de doença psicótica, que em muitos casos acaba por evoluir para uma esquizofrenia.
"A canábis de alta potência, em pessoas que tenham predisposição, pode ser um gatilho para as pessoas desenvolverem uma esquizofrenia".
Um risco muito maior entre os jovens.
O vilão THC
Vários trabalhos científicos começam a apontar uma relação grande entre consumo de canábis e surtos psicóticos.
O consumo de canábis de alta potência, com alto teor de THC e baixo teor de CBD é a raiz do problema e pode aumentar o risco de desenvolver psicose.
"Com o passar dos anos... a erva foi ficando, para competir no mercado, cada vez mais potente. A droga que se fumava nos anos 70, não tem nada a ver com a droga que se fuma hoje em dia".
O maior problema, segundo o psiquiatra Henrique Prata Ribeiro, é a procura da droga que dá "moca", uma versão que tem alto teor de THC. Esta versão é a mais procurada pelas pesssoas, e este facto deveria ser uma preocupação na sociedade em termos de saúde pública.
Para o profissional de saúde, os meios de comunicação deveriam deixar de se referir à cannabis como uma droga leve.
"Ela, na verdade, não é..., pelo menos na proporção de THC e CBD que se fuma hoje em dia."