
A associação ambientalista Projeto Vitó suspeita que a substituição de lâmpadas convencionais por LED na ilha Brava, Cabo Verde, seja a causa da morte de mais de 150 aves marinhas, anunciou hoje a organização.
"Recebemos vários apelos de pescadores de Tantum, na ilha Brava, relatando um número alarmante de mortes de aves. A investigação revelou que a causa foi a troca das lâmpadas amarelas por LEDs de alta intensidade", indicou a associação, em comunicado.
A mudança de iluminação está a ser implementada pela Empresa de Distribuição de Eletricidade de Cabo Verde (EDEC), como parte de um programa do Governo.
A associação destaca que a substituição não foi precedida por um estudo de impacto ambiental.
"O levantamento realizado pela nossa equipa identificou mais de 150 aves mortas, de três espécies endémicas de Cabo Verde e uma migratória", explicou a organização.
As aves poderão ter morrido devido ao impacto com as luzes e posteriormente predadas por gatos.
A associação lamenta que nenhuma ação tenha sido tomada até agora e alerta para o risco de extinção de populações inteiras de espécies protegidas na ilha Brava e no Fogo.
"É urgente uma intervenção das autoridades ambientais", apelou.
O administrador da EDEC, Osvaldino Lopes, citado pela Rádio de Cabo Verde (RCV), lamentou a situação e afirmou que ainda não há uma relação cientificamente comprovada entre a iluminação LED e a morte das aves.
"Se for provado que as luzes causam a mortalidade, a EDEC tomará medidas, como ajustar a temperatura da luz, instalar defletores para reduzir a dispersão da luz e rever o cronograma de funcionamento", garantiu.
Osvaldino Lopes explicou ainda que o projeto "Cabo Verde 100% elétrico", que visa substituir lâmpadas a vapor de sódio e mercúrio por LED, é de responsabilidade do Governo e o objetivo é aumentar a eficiência energética e reduzir as emissões de carbono, além de melhorar a segurança pública.
Também apontou que a responsabilidade de desligar as luzes cabe aos municípios.
O projeto de substituição de lâmpadas LED começou em 2024, visando reduzir o consumo energético em quase 40% em todo o arquipélago, com um investimento de sete milhões de escudos (63 mil euros).