Um ataque israelita na cidade de Saida, no sul do Líbano, matou hoje um comandante das Brigadas Ezzedine al-Qassam e os seus dois filhos, anunciou o braço armado do grupo radical palestiniano Hamas.

Hassan Ahmad Farhat foi morto num ataque ao seu apartamento juntamente com a filha e um filho, também ele membro das brigadas, disse a organização num comunicado citado pela agência de notícias France-Presse (AFP).

Para as Brigadas Ezzedine al-Qassam, trata-se de "um assassínio cobarde" por parte de Israel.

O exército israelita tinha anunciado anteriormente que tinha matado um comandante do Hamas durante a noite num ataque aéreo em Saida.

Israel disse ter efetuado um ataque seletivo contra Hassan Farhat, "comandante da secção ocidental do Hamas no Líbano", disseram os militares num comunicado.

Farhat "orquestrou numerosos ataques terroristas contra civis e soldados israelitas" desde o início da guerra entre Israel e o Hamas, há quase 18 meses, acrescentou o exército.

Em Saida, um correspondente da AFP viu um apartamento no quarto andar de um edifício destruído e em chamas, bem como danos em edifícios vizinhos, lojas e automóveis na zona densamente povoada.

O ataque provocou o pânico na grande cidade do sul do Líbano, longe da fronteira com Israel.

A agência noticiosa nacional libanesa ANI noticiou três mortes num ataque com um 'drone' que visou uma zona residencial em Saida, também conhecida por Sídon.

O primeiro-ministro libanês, Nawaf Salam, denunciou "uma agressão flagrante contra a soberania libanesa" e uma "clara violação" do acordo de cessar-fogo declarado em 27 de novembro de 2024.

Salam apelou a que "se exerça a máxima pressão" para obrigar Israel a cessar as contínuas agressões, que visam várias zonas e, em particular, zonas residenciais".

Um oficial de uma unidade militar do Hamas foi morto em 17 de fevereiro num ataque israelita contra um carro em Saida, onde se situa o maior campo de refugiados palestinianos do Líbano.

Depois de, em março, terem sido disparados foguetes do Líbano para Israel, o exército israelita intensificou os ataques em território libanês.

Ninguém reivindicou a responsabilidade pelo ataque contra Israel e o Hezbollah pró-iraniano negou qualquer envolvimento.

Um ataque israelita nos subúrbios do sul de Beirute, um reduto do Hezbollah, matou um elemento do grupo libanês xiita em 01 de abril.

As duas partes continuam a acusar-se mutuamente de violar o cessar-fogo e o exército israelita efetua regularmente ataques no Líbano, mantendo tropas no sul do país, que faz fronteira com o norte de Israel.

A ANI noticiou hoje que a força aérea israelita tinha efetuado um ataque noturno na região de Nabatiye, no sul do Líbano.

No início da guerra em Gaza, em outubro de 2023, desencadeada por um ataque sem precedentes do Hamas, o Hezbollah abriu uma frente contra Israel a partir do sul do Líbano para apoiar o grupo palestiniano.

As hostilidades degeneraram numa guerra aberta em setembro de 2024, com intensos bombardeamentos israelitas no Líbano, principalmente contra os bastiões do Hezbollah, cuja liderança foi praticamente dizimada.