Von der Leyen emitiu uma declaração a partir de Samarcanda, no Uzbequistão, onde se encontra de visita, após o anúncio de novas tarifas globais pelos Estados Unidos.

"Já estamos a finalizar o primeiro pacote de contramedidas em resposta às tarifas do aço e estamos agora a preparar outras medidas para proteger os nossos interesses e negócios, se as negociações falharem", disse a dirigente.

"Como europeus, promoveremos e defenderemos sempre os nossos interesses e valores, e defenderemos sempre a Europa", acrescentou Von der Leyen.

A presidente da Comissão Europeia reconheceu que o sistema de comércio mundial tem "graves deficiências", mas realçou que "existe um caminho alternativo" e que "não é tarde para resolver os problemas através de negociações".

Von der Leyen sublinhou que o comissário do Comércio da União Europeia (UE), Maros Sefcovic, está "em contacto constante" com os seus homólogos norte-americanos.

"Vamos esforçar-nos para reduzir as barreiras, não aumentá-las", acrescentou a dirigente.

O Presidente norte-americano, Donald Trump, anunciou na quarta-feira a imposição de "tarifas recíprocas" sobre importações, incluindo de 25 por cento sobre todos os automóveis estrangeiros.

Von der Leyen lamentou a decisão de Trump, acrescentando que as tarifas serão "um rude golpe" para a economia global e que terá "consequências terríveis para milhões de pessoas em todo o mundo".

A alimentação, o transporte e os medicamentos custarão mais, disse ela, "e isso vai prejudicar, em particular, os cidadãos mais vulneráveis", acrescentou.

A presidente da Comissão Europeia pediu unidade dentro do bloco face às tarifas e salientou que o mercado interno é um "porto seguro" face à guerra comercial.

"A Europa tem tudo o que precisa para enfrentar a tempestade" das tarifas, disse von der Leyen, sublinhando que a UE "se manterá unida e defender-se-á mutuamente".

"A nossa união é a nossa força (...) A Europa tem o maior mercado único do mundo, 450 milhões de consumidores. Este é o nosso porto seguro em tempos tumultuosos", disse.

"A Europa está unida pelas empresas, pelos cidadãos e por todos os europeus, e continuaremos a construir pontes com todos aqueles que, como nós, se preocupam com o comércio justo e baseado em regras como base da prosperidade partilhada", acrescentou a dirigente.

Os países da UE passam a pagar 20 por cento de tarifas, metade de 39% de barreiras comerciais e não comerciais que a Administração Trump estima que os produtos norte-americanos enfrentam no acesso aos mercados europeus.

"Pensamos que a União Europeia é muito amigável, mas eles roubam-nos. É muito triste ver isso. É tão patético; [taxam produtos dos EUA a] 39%, nós vamos cobrar-lhes 20%", afirmou Trump na quarta-feira.

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