A Federação Portuguesa de Judo (FPJ) foi alvo de buscas da Polícia Judiciária (PJ) no âmbito de uma investigação que incide sobre a gestão do ex-presidente Jorge Fernandes, anunciou o organismo.

Segundo o despacho do Ministério Público, o mandado de busca e apreensão foi emitido para a sede da FPJ, mas também para mais três outros locais.

Um dos locais foi a casa do ex-presidente, conforme o próprio revelou. «Acordaram-me às 7h00. Estiveram na minha casa, não levaram nada e disseram mesmo que não havia nada de relevante. Foram ao Judo Clube de Coimbra e levaram documentos, de extratos bancários, não levaram computadores, nem nada de especial», revelou.

«Estou admirado com isto. Já ouvi que foi uma denúncia anónima, mas também que foi da federação», referiu Fernandes, presidente do Judo Clube de Coimbra.

Presidente a partir de 2017, Jorge Fernandes esteve à frente de um dos períodos de maior sucesso do judo português, nomeadamente com os dois títulos mundiais e um bronze olímpico de Jorge Fonseca, bem como a medalha de prata mundial de Bárbara Timo.

O dirigente não resistiu, porém, à polémica com vários judocas, entre os quais Telma Monteiro, e foi alvo de um processo disciplinar do IPDJ, por alegado favorecimento do filho, à época integrado funcionário da federação.

Após a saída de Jorge Fernandes, Sérgio Pina foi eleito em abril de 2023 para o remanescente do mandato, até ao final do ciclo olímpico Paris-2024, e, em outubro de 2024 foi reeleito, derrotando Jorge Fernandes que se candidatou.

O ex-presidente lamentou também o comunicado da FPJ a revelar as buscas, que de acordo com Fernandes, também aconteceram no seu mandato a propósito de outro presidente e que ele manteve o silêncio. «Estranhamente, é a FPJ que vem falar disto. Qual é o objetivo?», questionou.