
Paul Mullin tem sido o homem golo do Wrexham desde que a formação foi adquirida por celebridades de Hollywood. Tem um mural gigante dele no centro da cidade e criou uma ligação tão estreita com Ryan Reynolds, um dos proprietários do clube, que até apareceu no último filme "Deadpool".
Contudo, Paul Mullin está a sentir o lado negativo da notável ascensão do Wrexham - a ambiciosa equipa parece ter-se tornado maior do que ele.
Mullin, o prolífico avançado que foi o melhor jogador do Wrexham em cada um dos últimos três anos, não joga um jogo da liga há quase dois meses.
Com a contratação de dois atacantes pelo Wrexham na última janela de transferências, de modo a aumentar a sua candidatura à subida à segunda divisão, Mullin, de 30 anos, caiu na hierarquia e hoje em dia nem sequer faz parte da lista de 18 jogadores.
Uma queda repentina
É uma reviravolta repentina para um jogador que teve um papel de destaque no popular documentário "Welcome to Wrexham", criado por Reynolds e Rob McElhenney para acompanhar o progresso como proprietários de um clube de futebol.
McElhenney destacou mesmo Mullin como "um dos melhores jogadores de futebol do mundo", enquanto a amizade com Reynolds levou Mullin a fazer uma participação especial como a personagem "Welshpool" no filme de sucesso "Deadpool & Wolverine".
Mullin até escreveu um livro intitulado "My Wrexham Story", onde documenta o tempo que passou com a equipa desde a sua transferência em julho de 2021, a sua carreira antes de se mudar para o norte do País de Gales e as lições que aprendeu com o diagnóstico de autismo do seu filho, que foi tema de um episódio de "Welcome to Wrexham".
A sua queda de estatuto poderá, portanto, partir o coração dos adeptos que entoaram cânticos de "Super Paul Mullin" no Racecourse Ground, quando o avançado marcou mais de 100 golos pelo Wrexham.
Chris Jones, um antigo detentor de bilhetes para a época do Wrexham, atribui as dificuldades de Mullin às consequências de uma pequena cirurgia à coluna vertebral no verão e à consequente perda de confiança.
"Ele simplesmente não parece o mesmo. Seja por causa da lesão ou por uma questão mental", disse Jones em entrevista.
"Pensávamos - 'Será que ele vai ficar em forma e voltar ao seu melhor?' Mas ele foi ficando cada vez pior. Parece um jogador que está acabado, que se foi...", regista.
Para o treinador do Wrexham, Phil Parkinson, Mullin continua a ser uma opção num plantel cada vez mais competitivo - só não é uma escolha óbvia desde que a equipa contratou Jay Rodriguez, um antigo jogador da Premier League, e Sam Smith, por 2,5 milhões de euros, em janeiro. O Wrexham também tem o ex-jogador da seleção escocesa Steven Fletcher como opção de ataque.
"Temos muitos avançados. É difícil. Não podemos manter toda a gente envolvida. Mas vamos continuar a avaliar as coisas, a analisar os treinos a toda a hora e a escolher a equipa e o banco de suplentes em conformidade", disse Parkinson.
A caminho de outra promoção
O plantel do Wrexham tem de continuar a evoluir. Feitas as contas, a equipa jogava no quinto escalão - fora das quatro ligas profissionais de Inglaterra - há apenas três anos. Agora, pode estar a um ano e meio de jogar na Premier League se o clube continuar a sua notável trajetória.
O Wrexham está em 2º lugar na League One, com os dois primeiros classificados a ganharem a promoção automática e as quatro equipas seguintes a entrarem nos playoffs.
No sábado o Wrexham visita o Exeter e espera-se que Mullin esteja ausente mais uma vez, uma vez que se continua a especular sobre o seu futuro.
Autor: STEVE DOUGLAS, Associated Press