Já com mínimos para o Mundial de Singapura, em julho, aos 50 livres e 50 mariposa, Diogo Ribeiro apenas se inscreveu para o Nacional Open de Portugal, que decorre no Jamor, aos 100 livres e 100 mariposa. Distâncias a que ainda não tem visto para o verão.

Dispensado das provas de quinta-feira, esta sexta-feira entrou em ação, pela primeira vez, e nadou a final dos 100 mariposa, assegurando o título de campeão com 51.79s. A escassos 2 centésimos do acesso (51,77) para Singapura. Ainda que na próxima semana vá também participar, com a Seleção, no Open da Irlanda e disponha de alguns meses para alcançar o mínimo, a vitória no Jamor, com Vasco Morgado (Algés, 54,02) e Kevins Apseniece (FC Porto, 54,51) a dividirem o pódio, poderia ser um momento de alguma frustração para o duas vezes campeão do Mundo.

Afinal não. Para quem esteve um mês sem poder nadar com os braços e perto de uma intervenção cirurgia, mais um título de campeão foi alegria e satisfação. «Ter ficado a 2 centésimos não foi frustrante. A federação é que apontou esses mínimos, mas os meus treinadores e a minha equipa, que estão comigo diariamente, sabem que estive um mês com uma lesão em que podia ter sido operado ao ombro esquerdo. Uma lesão do labro», começa por revelar a A BOLA o olímpico do Benfica.  

«Felizmente fomos por um método mais conservador e optámos por fazer e muito treino no ginásio para reforçar o ombro e também para não me doer… Enfim, para ver se não era preciso ter de efetuar uma cirurgia. Por isso, é gratificante estar aqui hoje e tornar a conseguir 51.79s. Voltar a abaixar dos 52 segundos, que era uma coisa que não imaginava que seria capaz», vai contando Diogo, que com 51,79 alcançou a terceira melhor marca europeia do ano em piscina longa, ainda que só agora tenha começado a temporada, e detém como recorde nacional os 51,17, registados no inesquecível Mundial de Doha2024, onde se sagrou campeão do mundo.

«De manhã [na eliminatória] tinha feito 53.4s. À tarde, pensava que chegaria, na melhor das hipóteses aos 52,5s. Foram 51.79, estou superfeliz, sinceramente. Agora é colocar a cabeça nos 100 livres de domingo. Mas lá está, vim sem ter os mínimos no pensamento. Simplesmente para ver o que é que podia fazer, porque não sabia como é que me encontrava», acrescenta já depois de ter subido ao pódio para receber as medalhas do Nacional e da prova open.

E então como é que conseguiu fazer a preparação para estes campeonatos? «Já que não podia trenar braços, estive um mês só de treinar pernas, a evoluir nos fundamentos que me faltavam. Quinta-feira da semana passada, ou seja, sensivelmente uma semana, é que recebi alta médica e pude juntar-me à equipa principal [do CAR Jamor] e treinar normalmente».

«Por isso é que digo que estou super surpreendido. Em uma semana de treino normal, fazer 51,7s, acho que é de outro mundo», afirma, sorrindo. Apanhou um grande susto? «Assustei-me muito. Pensei que a época ia ficar por ali. Ainda por cima nadadores quando são operados ao ombro… é difícil. A carreira pode acabar…», responde já com ar mais sério.

Mas agora está tranquilo? «Agora estou muito tranquilo e muito feliz. Lá está, vim competir e não sabia como é que estava. No máximo pensei que chegaria aos 52s e estava com medo. Receoso do estado de forma em que me podia encontrar. Afinal sempre havia sido um mês e pouco sem treinar. Não estou muito explosivo, por isso foi um resultado super positivo, tanto para mim como para os meus treinadores. Neste momento é pensar no Mundial e na prova que vamos ter daqui a uma semana na Irlanda, que me vai mostra mais coisas».

E crê que, para quem ficou a 2 centésimos do mínimo, daqui a uma semana possa lá chegar, ou neste momento, por ter estado um mês só a treinar pernas, o que sair será bom porque essa não é a preocupação? «Neste momento estamos tranquilos. Só mesmo mais focados no Mundial. Na Irlanda será mais um torneio de preparação, assim como está a ser este».

«Não por me achar o maior do mundo, mas por saber na forma que que me encontro, por ter voltado a há uma semana. Enquanto os meus colegas já estavam a fazer o taper [período de menor carga], eu estava a voltar a fazer o bloco 4, de resistência. O bloco de base. Portanto, é um resultado positivo no Nacional, e daqui a uma semana tentar fazer ainda melhor. Se sair o mínimo é bom, se não sair é com os olhos de postos do Mundial», concluiu.