
António Nobre, internacional da AF Leiria, deslocou-se ao Estádio de Alvalade para dirigir o Sporting CP/Rio Ave FC, jogo referente à meia-final da Taça de Portugal, edição 24/25.
O árbitro leiriense - cuja postura em campo e relacionamento diplomático com os intervenientes é sempre elevada - procurou deixar jogar ao máximo, em atitude positiva para o espetáculo mas que acarreta riscos (e erros). Ontem foi o mais coerente que pôde nessa forma de atuar, mas acabou traído pela perceção de um lance muito enganoso em campo, mas efetivamente mal analisado.
Segue análise técnica aos lances mais relevantes do encontro:
12' Golo legal do Sporting, a inaugurar o marcador em Alvalade. Quando Geny Catamo rematou, Diomande estava em fora de jogo posicional mas nunca tocou na bola nem impactou na ação dos adversários. Lance bem validado.
21' Richards derrubou Fresneda, em infração não assinalada que ocorreu muito perto do árbitro assistente.
31' Tiknaz empurrou e puxou a camisola de Gyokeres, sem que a infração fosse assinalada. Mais um dos tais equívocos decorrentes da boa vontade em deixar jogar.
39' Hjulmand foi pontapeado no peito após abordagem imprudente de João Tomé. A infração aconteceu na zona frontal e perto da área vilacondense. Naquela circunstância e face ao desenvolvimento posterior da jogada, a aplicação da vantagem não foi mais proveitosa do que seria assinalar o respetivo pontapé-livre direto. Vantagem e posse de bola são conceitos distintos.
41' Richards e Eduardo Quaresma chocaram quando ambos tentavam a bola (tocada de cabeça pelo defesa inglês). Não houve infração de parte a parte. Esteve bem o leiriense na análise desse contacto.
45' A equipa de arbitragem foi (toda) ludibriada por ação de Geny Catamo na área adversária: o jogador do Sporting viu que Aguilera colocou a perna à frente e promoveu contacto com o joelho e pé esquerdo do costa-riquenho, que estavam imóveis e nunca se movimentaram. O jogador do Sporting tentou o benefício maior e foi bem sucedido. O pontapé de penálti devia ter sido revertido e o jogador leonino advertido por simulação.
53' Trincão fez carga de ombro legal, com bola jogável, sobre Richards. O árbitro de Leiria assinalou infração, em critério diferente do apresentado em outros momentos de jogo.
56' Lance de muito perigo da equipa lisboeta, finalizado por Geny (bola por cima da barra). Gyokeres arrancou da esquerda em posição legal. Análise correta do árbitro assistente.
60' António Nobre foi atingido no rosto inadvertidamente (após não ter assinalado infração sobre Gyokeres). Talvez por isso alguns adeptos em Alvalade manifestaram alegria pelo sucedido. É quase sempre assim em todo o lado, mas fica mal.
68' Gyokeres isolou-se à direita do seu ataque e rematou com perigo, mas partindo de posição irregular sinalizada no final da jogada. Decisão correta do árbitro assistente.
72' André Luiz caiu já dentro da área adversária, mas sem sofrer qualquer infração de Maxi Araújo. Esteve bem António Nobre ao nada assinalar.
72' O protesto de Gyokeres, extremamente visível e notório, só podia ter sido sancionado, como foi, com advertência.
75' Felicíssimo derrubou Richards de forma negligente e impedindo-o de prosseguir saída prometedora. A infração devia ter sido sancionada com cartão amarelo. O árbitro da partida fez leitura distinta.
77' A equipa visitada marcou aquele que seria o seu terceiro golo, o segundo no jogo de Geny Catamo. O lance, validado em campo, foi bem revertido após intervenção do VAR: o moçambicano estava em fora de jogo quando Gyokeres fez a assistência. Decisão acertada.
83' Andreas agarrou ostensivamente Gyokeres, impedindo-o taticamente de efetuar rotação e partir para o meio-campo adversário. A infração antidesportiva foi bem sancionada com cartão amarelo.