
A rendibilidade das empresas recuou ligeiramente para 9,4% no último trimestre de 2024, mantendo-se face aos três meses anteriores, enquanto a autonomia financeira voltou a atingir níveis recorde, segundo dados do Banco de Portugal (BdP). O banco central divulgou nesta sexta-feira as estatísticas das empresas da central de balanços relativas ao quarto trimestre de 2024.
A rendibilidade das empresas compara com o mesmo valor no terceiro trimestre e 9,5% um ano antes. A rendibilidade é medida pelo rácio entre os resultados antes de amortizações, depreciações, juros e impostos (EBITDA) e o total do ativo, explica o BdP nas estatísticas das empresas da central de balanços. Face ao período homólogo, a rendibilidade do ativo das empresas privadas desceu nos setores das indústrias (-1,1 pontos percentuais [pp] para 10,4%), eletricidade e água (-0,3 pp para 9,4%), noutros serviços (-0,1 pp para 8,8%) e nas sedes sociais (-1,5 pp para 7,2%). Em sentido inverso, houve subida da rendibilidade em termos homólogos nos setores da construção (0,9 pp para 8,7%), do comércio (0,6 pp para 10,3%) e transportes e armazenagem (1,3 pp para 14,6%).
A rendibilidade das empresas públicas foi positiva em 7,3%, acelerando 0,5 p.p. face aos mesmos três meses de 2023. Já a autonomia financeira das empresas, medida pelo peso do capital próprio no total do ativo, foi de 45,6% no quarto trimestre de 2024, acima do trimestre homólogo (44,1%). A autonomia financeira das empresas atingiu mesmo, no quarto trimestre de 2024, o valor recorde desde 2006 (data do início da série do BdP). A autonomia financeira das empresas privadas “reflete a retenção de resultados das empresas e foi transversal a todos os setores de atividade”, refere o banco central. A autonomia financeira das empresas públicas cresceu de 36,9% para 37,2%.
Por dimensão, nas Pequenas e Médias Empresas (PME) a autonomia financeira subiu 1,9 pp para 46,0% e nas grandes empresas 1,3 pp para 41,4%.
Por sua vez, o peso dos financiamentos obtidos no total do ativo diminuiu de 27,6% para 26,6%, refletindo a redução dos empréstimos das empresas. Já os custos dos financiamentos recuaram 0,2 pp face ao trimestre anterior, para 4,8%, sendo a primeira redução depois de nove trimestres consecutivos de aumentos. Por fim, a cobertura dos gastos de financiamento das empresas (que quantifica o número de vezes que o EBITDA gerado pelas empresas é superior aos seus gastos de financiamento) reduziu-se de 7,4 para 7,1 no último trimestre de 2024.