No documento, lançado no Dia Mundial do Teatro, Paulo Dias afirmou que essa desigualdade é "cada vez mais evidente".

"Enquanto as entidades públicas têm garantias financeiras, os agentes culturais independentes enfrentam diariamente o desafio de vender bilhetes, garantir a estabilidade das equipas de trabalho, manter as infraestruturas, assim como preservar edifícios históricos para continuar a trabalhar em prol da cultura", escreveu o administrador do Tivoli.

Paulo Dias exemplificou com o caso do Tivoli, em Lisboa, um edifício centenário, classificado como monumento de interesse público, "mas sem acesso a qualquer programa de apoio para a sua manutenção", referindo que "os fundos do Plano de Recuperação e Resiliência (PRR) não contemplam as empresas privadas que atuam no setor cultural".

O diretor-geral da produtora UAU acrescentou que "há entraves vindos de programadores que dificultam ou até censuram projetos, tornando as digressões mais complicadas e impedindo que os espetáculos cheguem a toda a população", sem especificar.

Num ano marcado por eleições, o ciclo político "traz um novo obstáculo, o próprio Estado (através de partidos, câmaras municipais e juntas de freguesia) torna-se o maior concorrente dos teatros e salas de espetáculos, ao oferecer eventos gratuitos com fins políticos".

"Enquanto isso, as empresas privadas continuam em desvantagem", acentuou Paulo Dias, acrescentando: "Resta-nos continuar a trabalhar e a vender bilhetes, pois o único verdadeiro apoio que temos é o do público".

O responsável alertou que "as salas necessitam de ajuda para se manterem", acrescentando que "a programação privada deve ser autossustentável, mas sem salas não existem espetáculos".

Segundo dados do Tivoli, em 2024, quando completou 100 anos, o teatro "ultrapassou os duzentos mil espetadores", com uma programação que incluiu vários concertos de música erudita e ligeira, teatro e bailado.

A UAU apresenta também produções suas no Teatro Armando Cortez, na Casa do Artista, e no Auditório de Lisboa.

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