
As lesões oculares podem ser graves, como se viu no caso da futebolista portuguesa Jéssica Silva, que teve de fazer uma pausa na sua carreira devido à perda de visão no olho direito, após uma “forte bolada” na face. A atleta sofreu uma hemorragia ocular que afetou a retina.
Como explica João Figueira, médico oftalmologista na ULS Coimbra e presidente do Grupo de Estudos da Retina: “os impactos nos olhos podem causar desde lesões leves, como pequenas contusões — que são simples pancadas com dor, inchaço ou nódoas negras — até situações mais graves. Entre estas, as que atingem o segmento posterior do olho são especialmente graves, por afetarem estruturas sensíveis e importantes para a visão, como a retina e o nervo ótico.”
Continuando: “O descolamento, as rasgaduras e outras lesões da retina são particularmente sérias, pois a retina é essencial para a visão e, se danificada, pode causar visão turva ou mesmo cegueira, exigindo tratamento urgente.”
Outro problema é o hifema, o acumular de sangue dentro do olho devido a um traumatismo, que pode afetar a visão e aumentar “perigosamente” a pressão ocular. Ainda existe a possibilidade de fraturas da órbita, que ocorrem quando os ossos à volta do olho se partem, o que pode provocar dor intensa, visão dupla e deformação no rosto. Já as lacerações e perfurações do globo ocular são lesões muito graves, em que algo perfura o olho, podendo levar à perda de visão e a infeções sérias. “Todas estas complicações exigem atenção médica rápida para evitar danos permanentes à saúde ocular”, alerta, em comunicado.
Desportos de maior risco para os olhos
Para além do futebol, existem outras modalidades com e sem bola, que apresentam um risco elevado de traumatismos oculares, de acordo com o Grupo de Estudos da Retina. É o caso do basquetebol, andebol e padel – onde a bola pode atingir os olhos a alta velocidade. No padel, que em alguns países já é a modalidade que causa mais traumas oculares, a proximidade entre jogadores, o uso de raquetes e constante mudança de trajetória da bola aumentam o risco de impactos acidentais; assim como no squash e no ténis – devido à velocidade da bola e à possibilidade de desvios inesperados. Há ainda os desportos de contacto, como boxe e râguebi, hóquei, basebol e desportos motorizados.
“A prevenção é fundamental para diminuir o risco deste tipo de lesões”, alerta o oftalmologista João Figueira. Aconselha, assim, que se use proteção ocular, que se dê atenção à trajetória da bola ou objetos, que se evitem gestos bruscos em caso de impacto (esfregar os olhos pode agravar lesões internas), que se procure assistência médica imediata em caso de lesão e que se façam exames regulares.
Fora da competição também existem riscos para os atletas, como lembra o grupo. “Em 2022, o ciclista eritreu Biniam Girmay, que sofreu uma lesão ocular grave durante o Giro d’Italia, ao ser atingido no olho por uma rolha da garrafa de espumante, enquanto celebrava uma vitória. O impacto provocou uma hemorragia na câmara anterior do olho, forçando o atleta a abandonar a competição.”
João Figueira sublinha ainda que “a recuperação de Jéssica Silva pode ser demorada” e reforça a importância “do acompanhamento médico especializado e da consciencialização sobre os riscos para a visão na prática desportiva”.
MJG
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