
Para a União Nacional para a Independência Total de Angola (UNITA, maior partido na oposição), Holden Roberto, líder fundador da Frente Nacional de Libertação de Angola (FNLA), e Jonas Savimbi, fundador da UNITA, devem ser reconhecidos pelo Governo angolano como pais da independência e heróis nacionais, ao lado de Agostinho Neto, do Movimento Popular de Libertação de Angola (MPLA, no poder desde 1975).
Numa declaração alusiva ao 23.º aniversário da Dia da Paz e Reconciliação Nacional, que hoje se assinala em Angola, a UNITA considera ser uma injustiça e estar-se "a torpedear" a história de Angola com o "contínuo não reconhecimento" da contribuição patriótica de Holden Roberto e Jonas Savimbi ao lado de Agostinho Neto -- os três signatários do Acordo de Alvor com o Governo colonial português em 15 de janeiro de 1975, que concorreu para a independência de Angola.
Várias figuras da vida política (incluindo nacionalistas e ex-combatentes do FNLA, UNITA e MPLA) económica, social, cultural e desportiva de Angola constam da lista de condecorações que serão atribuídas hoje pelo Presidente angolano, João Lourenço, no âmbito das celebrações dos 50 anos da independência de Angola.
Pelo menos 247 personalidades constam desta primeira lista de homenageados e em vários círculos políticos e sociedade civil questionam as ausências dos nomes de Holden Roberto, Jonas Savimbi e de outras figuras que fizeram parte dos três movimentos de libertação do país.
O secretariado executivo do Comité Permanente da Comissão Política da UNITA manifesta igualmente "repúdio e indignação" pelo facto de no dia consagrado à Paz e a Reconciliação Nacional, o Governo "excluir cidadãos de reconhecido mérito em diversas áreas de atividade por razões político-ideológicas".
"A independência, a paz, a democracia, a reconciliação nacional e o desenvolvimento são uma construção e conquistas de heróis e mártires, de sacrifícios incontáveis de filhos de Angola, cuja obra está registada na (...) história e inspiraram a ação das forças nacionalistas que se bateram contra o colonialismo português em Angola", refere-se no comunicado.
Em relação ao aniversário da Paz e Reconciliação, a UNITA saúda e encoraja o povo angolano a continuar a luta pelos seus direitos políticos, sociais, económicos e culturais, plasmados na Constituição, pela defesa e preservação da paz, por um Estado Democrático de Direito e pela reconciliação nacional "efetiva".
A UNITA constata que, volvidos 50 anos, desde a independência e 23 anos de paz, os angolanos continuam a viver uma "grave" crise política, económica, social, do direito e da justiça.
Neste sentido, o partido político refere que Angola regista um "retrocesso" dos indicadores do Estado democrático de direito, "perseguição e demonização" de adversários políticos e negação à igualdade de tratamento por parte das entidades que exercem o poder público, negação ao direito de tratamento imparcial da imprensa pública e outros.
Sobre os festejos dos 50 anos de independência a serem assinalados em 11 de abril de 2025, a UNITA rejeita "categoricamente" participar de galas festivas "enquanto compatriotas morrem de fome e de doenças evitáveis, como a cólera, e milhares de crianças continuarem a disputar migalhas nos contentores de lixo".
DAS // JMC
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