Dando sequência à aposta no mercado nipónico, no verão passado o Portimonense contratou Yuki Kobayashi, defesa central esquerdino que acabara de sagrar-se bicampeão da Escócia, com o Celtic.

Conquistas que por si só valorizam qualquer cartão de apresentação, mas Yuki, aos 19 anos, já o tinha recheado com uma vitória na Taça do Imperador com o Vissel Kobe em 2019, ao lado de grandes nomes do futebol mundial, como os espanhóis Andrés Iniesta e David Villa, o alemão Podolski e o belga Vermaelen.

«Foram todos grandes jogadores. Ainda era novo e eles ajudaram-me a crescer», reconhece o defesa nipónico, hoje com 24 anos. 

«Ser campeão pelo Celtic foi um momento muito importante na minha carreira, mas não foram só esses títulos na Escócia que foram distintos, porque quando jogava no Japão fui à seleção e vivi momentos marcantes, como a conquista da Taça do Imperador», sublinhou o defesa.

No Celtic, Yuki Kobayashi jogou em 2022/2023 com um português que é idolatrado pelos adeptos e que nesta temporada regressou ao emblema escocês: Jota.

«É um excelente jogador, com muita técnica, bom passe, drible e remate. Tem todas as qualidades para jogar ao mais alto nível. É bom estar com ele na mesma equipa, porque se jogar contra ele, é muito difícil de marcar. Foi excelente ser campeão jogando ao lado do Jota», recorda.

 A realidade para Yuki é hoje diferente e o central procura afirmar-se em Portugal, não desvalorizando o facto de começar pela Liga 2, porque o Portimonense é um clube «ambicioso e excecional», com «infraestruturas de topo» e onde «nada falta».

«O meu primeiro objetivo é subir à Liga e, no capítulo individual, é destacar-me na equipa para ser recordado pelos adeptos do clube», deseja o esquerdino, que tem contrato com o clube algarvio até 2027.

Yuki Kobayashi não sentiu dificuldades de adaptação ao Portimonense e ao nosso país, apesar das diferenças «culturais» e «desportivas». «Senti que era uma grande mudança, mas adaptei-me muito rápido. O clima é muito bom, assim como a comida, e as pessoas são muito calorosas. Nesse aspeto não houve problema, passo muito tempo com os meus compatriotas e colegas e nas folgas costumamos reunirmos em casa, para um churrasco», referiu.

«Para os japoneses morar num país com cultura diferente não é fácil. No meu caso, vir para o Portimonense, que já tem um histórico de trabalho com jogadores japoneses, facilitou muito a minha adaptação e estou muito feliz aqui», acrescentou.

Como já confessou, Yuki gosta da comida portuguesa. «A gastronomia portuguesa é uma das melhores da Europa. Quando janto fora, vou a restaurantes portugueses ou a churrascarias. Mas, de vez em quando, tenho saudades da comida japonesa», confessa o jogador nipónico, que já arrisca pronunciar algumas palavras na nossa língua.

«Estou a aprender, mas ainda não consigo dar uma entrevista em português. No entanto, no balneário com os companheiros, brinco e consigo entender algumas palavras e nas compras no supermercado ou num restaurante, uso algumas que são essenciais», confessa Yuki. 

«Não temos uma equipa alta, que possa saltar por cima da barra» 

Para o central nipónico, a Liga 2 é muito competitiva e, por isso, não vê uma equipa que seja muito superior às outras. Considera ainda que os pormenores têm feito a diferença nos resultados e, no caso do Portimonense, os erros individuais, quer na defesa quer no ataque, têm penalizado. 

«Não há uma equipa que se destaque, que seja muito forte. Todos os jogos são difíceis e são os pormenores que fazem a diferença entre ganhar ou perder, como os lances de bola parada. E não temos uma equipa alta, que possa saltar por cima da barra. Por isso, temos de ter cuidado com esses lances de bola parada», constata. 

«A nível individual sinto-me bem e tenho estado sempre a crescer. Mas, infelizmente, os resultados da equipa não estão a ser os que nós queremos e temos de melhorar», reconhece Yuki, utilizado em 19 jogos, quase sempre como titular, sendo o central com mais minutos no clube algarvio.

Esquerdino e central de raiz, a sua polivalência é aproveitada por Ricardo Pessoa, que já o usou como lateral esquerdo. «Sempre joguei mais como central, mas também já atuei como lateral esquerdo. Por isso, é-me indiferente jogar em qualquer uma dessas posições», referiu.

Apontado no início como candidato à subida, o Portimonense ocupa a parte inferior da classificação e longe da luta pelo regresso à Liga. «O que pretendemos em relação ao estilo de jogo... estamos no caminho certo. No entanto, infelizmente, estamos a cometer muitos erros individuais que nos têm penalizado, tanto a nível defensivo nos golos sofridos, como também na definição ofensiva dos lances, principalmente nas muitas oportunidades que temos criado. Penso que temos de estar mais concentrados nesses pormenores», apontou o jogador, sobre o que tem faltado aos algarvios.