
O início da tarde em Santiago apresentava-se calmo, sereno, até com um toque de indiferença face ao que sucedia no court do torneio ATP 250 que se realiza no Chile. No entanto, um lamento quebrou a tranquilidade da sexta-feira de verão no Club Deportivo Universidad Catolica.
As inquietações eram manifestadas por Jaime Faria. O português de 21 anos lutava por ser o mais novo jogador nacional a atingir as meias-finais de um torneio ATP, mas uma conhecida falta de eficácia impediam uma jornada de glória em Santiago.
14 vezes teve o lisboeta oportunidades para quebrar o serviço do sérvio Laslo Djere. Em 11 dessas situações, Faria não conseguiu prevalecer, com o mais experiente adversário a impor-se. Depois de só ter concretizado um de 14 break points na ronda anterior, diante de Gustavo Heidel, a maldição prosseguia.
Foi assim, com a amarga sensação de ter criado as oportunidades que o próprio falhou, de ter passado um encontro a abrir portas que depois se fechavam, que Jaime Faria, 87.º do ranking ATP, foi derrotado nos quartos de final do ATP 250 de Santiago. Contra Djere, sérvio de 29 anos que é 103.º da hierarquia mas que já foi 27.º — ainda há precisamente um ano era 35.º —, Jaime Faria perdeu, ao cabo de esgotantes duas horas e 42 minutos tempo, por 7-6 (5), 4-6 e 6-4.
O pupilo de Pedro Sousa teve o mérito de levar a eliminatória para o campo da maratona, para uma disputa renhida, nos limites do físico. Durante quase metade do embate, esteve impecável no serviço, evidenciando os motivos pelos quais os mais veteranos do ténis nacional dizem nunca terem visto um português com um saque tão poderoso. Houve, também, poderosas acelerações de direita, existiram momentos em que Jaime Faria foi o bombardeiro Jaime Faria, capaz de dominar os pontos, tentando entusiasmar o não muito expressivo público da tarde de Santiago. Mas não chegou.
Sem nenhum dos jogadores ter perdido o serviço no primeiro set, a decisão deu-se no tie-break. O serviço falhou a Jaime, com duas duplas faltas fatais.
A meio da segunda partida, o português voltou a hesitar no saque e foi quebrado. No entanto, teve o mérito de forçar à tal maratona, conseguindo, ao 11.º break point, vencer um jogo no serviço de Djere.
O terceiro e decisivo parcial trouxe um sérvio fisicamente menos diminuído, mais lúcido. Faria, à medida que as três horas de encontro se aproximavam foi mostrando mais frustração e menos precisão, caiu nos quartos de final, tal como sucedera na semana passada, no Rio de Janeiro.
Caso tivesse vencido, Jaime ter-se-ia tornado no mais jovem português de sempre numas meias-finais ATP. Frederico Gil conseguiu-o com 23 anos, Faria tem apenas 21. Há tempo para continuar a surpreender.