
Um estudo de longo prazo está a desafiar a sabedoria convencional sobre casamento e saúde, sugerindo que adultos mais velhos que são solteiros podem, na verdade, ter melhor saúde mental do que aqueles que são casados.
Investigadores acompanharam mais de 24 mil adultos durante 18 anos. Os resultados, publicados em Alzheimer's & Dementia: The Journal of the Alzheimer's Association, descobriram que os participantes solteiros - incluindo aqueles que eram viúvos, divorciados ou que nunca se casaram - tinham cerca de menos 50% de risco de desenvolver demência comparativamente às pessoas casadas.
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Embora as relações românticas possam oferecer amor e companheirismo, especialistas dizem que o casamento também pode trazer fatores stressantes ao longo do tempo.
"Pessoas casadas podem ter dificuldades financeiras e conjugais adicionais, e esse tipo de coisas podem ser problemáticas", explicou Nava Silton, professora de psicologia no Marymount Manhattan College, em entrevista à FOX 5.
Silton enfatizou ainda que o stress crónico, seja ele financeiro, emocional ou interpessoal, pode afetar negativamente a função cognitiva.
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Existe ainda outro fator: a conexão social. De acordo com a professora, pessoas casadas podem limitar, involuntariamente, os seus círculos sociais ao longo do tempo, enquanto os solteiros cultivam frequentemente relacionamentos e hobbies mais variados, que são essenciais para a saúde do cérebro.
Os investigadores alertam que o estudo "não sugere que o casamento cause demência". Na verdade, as pessoas casadas têm mais probabilidade de terem um parceiro que perceba os primeiros sinais de perda de memória e incentive cuidados médicos, o que significa que a demência tem mais probabilidade de ser diagnosticada.
Seja casado ou solteiro, Silton recomenda priorizar a saúde física, mental e social conforme envelhece. Isso pode significar exercícios diários, manter contacto com amigos ou fazer atividades que trabalhem a mente, como palavras cruzadas.
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