Fintech é uma abreviatura de tecnologia e refere-se à aplicação de tecnologias inovadoras de produtos e serviços na indústria financeira, tais como aplicativos de mobile banking e pagamento digital (PayPal – primeira fintech do mundo; Revolut – o maior da Europa, etc.), mas também plataformas de empréstimos online, robot-advisors (conselheiros de investimento automatizado) e aplicações baseadas em blockchain (incluindo criptomoedas).
O mercado de fintech tem sido um dos mais dinâmicos do mundo, avaliado (2023) em 271,99 mil milhões de euros, com uma estimativa de crescimento de cerca de 14% até ao ano de 2033, maioritariamente na zona Ásia-Pacífico. Já em Portugal, conta com mais de 100 empresas e o investimento em fintech cresceu 210 milhões de euros entre 2019 e 2024, alcançando um total de 1,16 mil milhões de euros. Apesar de uma quebra no investimento em 2024, para os 88 mil milhões de euros (dados da KPMG), devido sobretudo à incerteza económica e aos conflitos internacionais, o setor dos pagamentos duplicou o investimento para os 28,7 mil milhões de euros.
No entanto, este tipo de instrumento financeiro também apresenta desafios de segurança digital, por um lado, e regulatórios, por outro.
Este tipo de inovação tecnológica (fintech) é particularmente vulnerável aos ciberataques que, sendo graves para os bancos tradicionais, são muito mais letais para estas plataformas, tirando ativos financeiros e abalando a confiança das pessoas. A inexistência de um seguro das transferências efetuadas, por exemplo, aumenta a perceção de que os seus ativos estão em risco.
Por outro lado, o setor de fintech apresenta desafios regulatórios, na mesma medida que os reguladores financeiros, como o Banco de Portugal, se tentam adaptar a novas tecnologias com base na Inteligência Artificial e modelos de negócios. O Banco de Portugal (através do serviço Fintech +) é a autoridade nacional de supervisão dos sistemas de pagamento e deve ter um papel ativo nas questões relacionadas com a inovação nos produtos e serviços financeiros, tal como no desenvolvimento do novo método de pagamentos – o SPIN. Tal como é exigida "saúde" financeira aos bancos tradicionais, também deve ser exigida governança robusta, que inclua códigos setoriais e organizações de autorregulação, seja nas criptomoedas seja nos sistemas de pagamento.
O desafio que constitui para a regulação e supervisão mais eficientes, como o Banco de Portugal, também se deve exigir à Administração Pública em geral, com particularidade às autarquias e aos serviços desconcentrados regionais, tais como as CCDR (devido ao aumento crescente das competências e por conseguinte da procura de serviços públicos), com a implementação de sistemas mais eficientes e eficazes (leia-se céleres) na transformação digital, na organização e procedimentos internos, nomeadamente de requerimentos, de pagamentos ao nível de fintech, ou qualquer outro necessário para o cidadão.
Como potencial à implementação de diversos instrumentos financeiros tecnológicos na Administração Pública, deve ser incentivada a criação de startups de empreendedorismo público nas diferentes regiões, no sentido de criar estímulo às oportunidades oferecidas pelas fintech, e ao mesmo tempo salvaguardar eventuais riscos, sempre em estreita colaboração com o Banco de Portugal.
Por último e em relação às tendências para o ano de 2025, existe uma evolução positiva para o investimento global em fintech, devido à descida das taxas de juro e alguma diminuição da incerteza, contribuindo para o reforço da consolidação no setor dos pagamentos e aumento da utilização das transações secundárias que proporcionam liquidez a todo este mercado.
Fica o desafio…
Pedro Pimpão, economista dos Algarves