
Já está quase aí, já cheira! Faltam 25 dias para o WrestleMania. A altura do ano em que tudo o que aconteceu nos últimos meses culmina num espetáculo que vai além de um simples ringue ou de um combate com o título em jogo.
Cresci a ver a WWE (maior companhia de wrestling do mundo) e, como qualquer fã, acho que se percebeu com o que escrevo nesta coluna, espero o ano inteiro por este evento. É ali que tudo acontece – as rivalidades mais intensas, as entradas mais épicas e os combates que nos fazem saltar da cadeira. O WrestleMania não é só um evento de wrestling, é um espetáculo à parte, e ao longo destes anos houve momentos que ficaram marcados na história. É a eles que dedico o artigo desta semana.
Para começar, é impossível escolher outro nome que não seja a superestrela que é sinónimo de WrestleMania, o Undertaker. Durante 21 anos, ele foi invencível no maior de todos os palcos. Cada vitória dele fazia crescer a lenda do “Streak”. Nomes como Triple H, John Cena, Ric Flair, Batista ou Shaun Michaels, entre outros, todos eles sucumbiram perante o “Deadman” da WWE. Até que chegou Brock Lesnar. Ainda me lembro de serem 4 da manhã, ter teste de Literatura Portuguesa cinco horas depois e não conseguir dormir porque, após 21 anos, ouviu-se terminar a contagem que dava a inédita derrota ao Taker. Aquele momento em que está estendido no tapete, o ecrã a mostrar o 21-1, silêncio absoluto num estádio completamente cheio, ficou marcado a ferro em brasa na memória dos fãs. E esse choque é algo que só o WrestleMania consegue dar. Para ter uma ideia, o vídeo oficial do combate, de 15 minutos, tem 32 milhões de visualizações.
Claro que também há um momento de que mesmo quem não percebe nada de wrestling já ouviu falar – WrestleMania 3, 1987. Hulk Hogan, o maior herói do século XX, literalmente levanta o gigante Andre The Giant (2,24m e 236 kg) e aplica-lhe o famoso body slam. Aquele feito não foi só força física, foi o nascimento da WWE como espetáculo global. E ainda hoje é impossível não se arrepiar ao ver esse vídeo.
Também existem os milagres, como o “Milagre de Bourbon Street”, no WrestleMania 30. Daniel Bryan, o derradeiro underdog que só subiu à ribalta devido à paixão dos fãs por ele — num episódio do RAW, chegaram a invadir o ringue para obrigar a empresa a dar-lhe uma oportunidade —, venceu não um, mas dois combates numa noite, para se sagrar campeão mundial. Aquele estádio inteiro a gritar “YES! YES! YES!” (frase de marca de Bryan) é, para mim, o verdadeiro significado de porque os fãs adoram wrestling. Não é só a luta, são as histórias de superação, de sonho, de conquista.
Para terminar, não posso falar de WrestleMania, sem o momento de ouro a que os fãs assistiram no ano passado — sou um dos afortunados que o presenciaram. Roman Reigns vs. Cody Rhodes – a tão aguardada desforra. Reigns era campeão há mais de três anos, fez do seu grupo “Bloodline” a “stable” mais poderosa dos últimos tempos e transformou-se num verdadeiro líder, o Tribal Chief. Do outro lado, Rhodes, um lutador que voltara à WWE com o objetivo de terminar a história que o pai, Dusty Rhodes, começara.
O combate foi uma verdadeira obra-prima de wrestling, entre “finishers”, contagens que pareciam o fim mas afinal não o eram e quase uma hora de combate, manobras e surpresas. E depois vieram os melhores 5 minutos da história da WWE. Após a família de Reigns invadir o combate para tentar ajudar o campeão a vencer mais uma vez (com batota) – incluindo The Rock –, aconteceu algo tão inesperado quanto o final do filme Avengers, da Marvel: as maiores figuras da WWE, John Cena e Undertaker, salvaram o dia e garantiram que o título passava para as mãos de Rhodes. Entre gritos e a mais incrível ovação, a reação das mais de 60 mil pessoas que assistiram ao vivo quase deitava abaixo o Lincoln Financial Field. Mais de uma hora depois, ainda havia homens feitos a chorar de pura emoção.
É por tudo isto que o WrestleMania é um espetáculo único e o wrestling é tão mágico.