Num mundo em que a economia global se mostra cada vez mais competitiva, dinâmica e incerta, a especialização inteligente surge como a estratégia que pode transformar os pontos fortes das nossas regiões em motores de progresso. Em termos simples, trata-se de concentrar investimentos em investigação, desenvolvimento e inovação nas áreas em que cada território já se destaca, gerando crescimento e novas oportunidades para todos.

A estratégia nacional de especialização inteligente (ANEI2030) define seis áreas prioritárias para Portugal: transição digital; materiais, sistemas e tecnologias de produção; transição verde; sociedade, criatividade e património; saúde, biotecnologia e alimentação; grandes ativos naturais: floresta, mar e espaço. No Centro, em Lisboa e no Alentejo, os desafios e oportunidades são distintos, mas complementares.

Lisboa: epicentro tecnológico e criativo
Lisboa brilha pelo seu vibrante ecossistema, no qual grandes empresas, startups, centros de investigação e investidores se reúnem num ambiente dinâmico e inspirador. Esta energia não só gera emprego qualificado, como também impulsiona a transferência de conhecimento, transformando a região num exemplo vivo de inovação. Aqui, domínios de especialização agroalimentar, a economia azul, as indústrias criativas, a mobilidade, os transportes, a saúde, o turismo e o ensino superior oferecem vantagens competitivas que reforçam o potencial da região.

Centro: onde o saber encontra a prática
A Região Centro beneficia da presença de instituições académicas de prestígio que, aliadas às empresas locais, criam um ambiente para a inovação. Este é o lugar onde a investigação se torna realidade para impulsionar o crescimento económico em domínios diferenciadores como os recursos naturais e bioeconomia, materiais, tooling e tecnologias de produção, tecnologias digitais e espaço, energia e clima, saúde e bem-estar, cultura criatividade e turismo.

Alentejo: tradicional com olhar para o futuro
Já no Alentejo, com a sua forte tradição agrícola e abundância de recursos naturais, a especialização inteligente pode transformar a agroindústria e potenciar a transição verde. Os domínios de especialização inteligente — bioeconomia sustentável, energia sustentável, mobilidade e logística, serviços de turismo e hospitalidade e ecossistemas culturais e criativos — colocam o Alentejo numa posição estratégica para enfrentar os desafios das alterações climáticas.

Coesão territorial: juntos somos mais fortes
Ao fomentar a colaboração entre universidades, empresas, administração central e local e sociedade, a especialização inteligente assegura que os recursos são aplicados de forma eficiente, permitindo que cada território contribua para um desenvolvimento equilibrado, sustentável e partilhado. Esta abordagem não só impulsiona a inovação e fortalece a resiliência económica dos territórios, como também melhora a qualidade de vida, criando ambientes que atraem e retêm talento, fundamentais para a competitividade de longo prazo.

Mais do que impulsionar o crescimento económico, a especialização inteligente é um motor de coesão territorial e um instrumento-chave para uma descentralização eficaz. As estratégias regionais de especialização inteligente (EREI), alinhadas com a ENEI 2030, demonstram que as regiões têm capacidade para definir e gerir as suas prioridades económicas de forma estruturada, promovendo uma descentralização coordenada e orientada para resultados. Ao unirem esforços, os territórios constroem um projeto coletivo onde a complementaridade entre regiões fortalece a competitividade nacional, assegurando que o progresso de cada uma contribui para um crescimento equilibrado e sustentável.

Dessa forma, caminhamos para um Portugal mais coeso e inovador, onde a colaboração regional se traduz num motor de crescimento sustentável e num futuro repleto de oportunidades para todos.

Presidente da Delegação Regional do Centro Alentejo, Ordem dos Economistas, ISCTE e DINÂMIA’CET