
Espreito por entre a nebulosa dos acontecimentos políticos dos últimos tempos e procuro vislumbrar o que se passa. Tudo me parece escuro, estranho, cheio de segredos, de manobras de oportunistas e habilidosos.
Não entendo as crises artificiais. Recordo-me de uma entrevista recente de António Barreto ao Diário de Notícias, onde faz este balanço do governo de António Costa: "O governo socialista de António Costa tinha quase tudo de que se precisa: dinheiro, votos, apoio e expectativas sociais. E maioria parlamentar. Tinha boa reputação internacional. Tinha colaboração institucional e bom entendimento com o Presidente da República. Quase tudo se perdeu. É um dos maiores desperdícios da vida política nacional."
E é verdade, reside aqui o início de um dos períodos mais estranhos da nossa história recente — a passagem de uma maioria absoluta do PS a uma pequena maioria da Aliança Democrática (na verdade, essencialmente do PSD), o crescimento do Chega e a alteração da paisagem parlamentar.
Que o governo de Montenegro tenha durado um escasso ano (tomou posse a 2 de abril de 2024…) mostra o desnorte dos dirigentes partidários, do PS e do PSD, que no espaço de menos de menos de dois anos desencadearam duas crises políticas.
Olho para as sondagens e é inevitável pensar que existe uma elevada possibilidade de das eleições de maio próximo não sair nada de muito diferente do que existia — o que quer dizer que a instabilidade continuará. Com este comportamento, como se sentirão os eleitores, qual será o peso da abstenção? Cada vez é mais difícil ver uma luz ao fundo do túnel.
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